Quando o deboche precede a queda – Por Rodrigo Simões
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A política brasileira atravessa um momento em que a forma tem sido tão grave quanto o conteúdo. Decisões judiciais, escândalos financeiros e o silêncio institucional diante de temas sensíveis revelam um país onde o poder parece cada vez mais distante do povo. Esta coluna trata de excessos, omissões e da indignação de quem ainda acredita que autoridade não combina com deboche — e muito menos com perseguição.
O deboche como símbolo de decadência
Causa perplexidade — e indignação — o comportamento do ministro Alexandre de Moraes ao ironizar o presidente Jair Bolsonaro logo após decretar sua transferência para a Papudinha. Em evento público, ao afirmar algo próximo de “missão cumprida no dia de hoje”, o tom adotado extrapola qualquer formalidade esperada de quem ocupa um dos cargos mais elevados da República.
O deboche, sobretudo quando parte de quem detém poder, não engrandece decisões. Pelo contrário: frequentemente antecede a queda moral.
Quando o pessoal invade o institucional
É impossível ignorar a percepção de que há, nesse episódio, uma motivação que ultrapassa o campo estritamente jurídico. Na minha avaliação pessoal, o ministro vem ultrapassando limites perigosos ao misturar o dever institucional de aplicar a lei com sentimentos e posições que aparentam ser de ordem pessoal.
Justiça exige sobriedade, equilíbrio e distância emocional. EXIGE IMPARCIALIDADE. Quando isso se perde, perde-se também a confiança pública.
Banco Master: silêncio ensurdecedor
Outro ponto que revolta é o escândalo do Banco Master. Até agora, praticamente nada de concreto foi apresentado à sociedade. Os mesmos nomes poderosos seguem circulando livremente: políticos, advogados influentes, consultores e figuras que transitam com facilidade pelos corredores do poder.
O recado que fica é perverso: para alguns, a lei é rigor; para outros, é apenas um detalhe.
CPMI do INSS: quem tem medo do debate?
Enquanto isso, a tão esperada CPMI do INSS, que poderia trazer respostas ao povo brasileiro, simplesmente não prospera em Brasília. A pergunta é inevitável: quais interesses impedem que esse tema avance?
Mais lamentável ainda é o silêncio de deputados federais da região da Alta Mogiana, que não se manifestam e não pressionam. Agem como se não representassem ninguém.
Representantes ausentes, população ignorada
A omissão desses parlamentares e outras autoridades (prefeitos e ex-prefeitos) é um desrespeito com a população que os elegeu. Em momentos cruciais, escolhem o conforto do silêncio em vez da responsabilidade do posicionamento. Política exige coragem. Quem se esconde quando o povo precisa falar, abdica do mandato moral.
Bolsonaro: além da política, a humanidade
O que vem sendo feito com o presidente Jair Bolsonaro beira o absurdo. Independentemente de posições políticas, há um limite que separa o rigor institucional da falta de humanidade. O que se vê hoje é humilhação, exposição e tratamento desproporcional.
Minha solidariedade não é apenas ao líder político, mas ao ser humano que enfrenta uma situação injusta, em um ambiente onde o poder parece ter perdido o senso de medida.
Justiça não combina com escárnio
Misturar o pessoal com o político, o sentimento com a toga, o deboche com a autoridade, é um caminho perigoso para qualquer democracia. Justiça deve ser firme, mas jamais arrogante. A história é clara: quando o poder ri demais, costuma cair de forma ainda mais ruidosa (Rodrigo Simões é jornalista e administrador de empresas, pós-graduado em Gerente de Cidades – FAAP, 2× vereador por Ribeirão Preto, presidente da Câmara (2017) e ex-presidente da FUNTEC; 18/1/26)

