03/08/2026

Quem são os candidatos à Presidência no Brasil – Por Fabiana Lavanhini

Quem são os candidatos à Presidência no Brasil – Por Fabiana Lavanhini

Com a aproximação do processo eleitoral, torna-se indispensável conhecer os candidatos e avaliar se suas trajetórias estão alinhadas aos nossos valores e crenças. Trata-se de um aprendizado contínuo sobre como analisar além das simples propostas de governo, observando a essência do líder para verificar se há coerência entre o seu falar e o seu agir. Afinal, como diz o ditado popular, “falar, até papagaio fala”.

 

Ronaldo Caiado (PSD)

 

Figura tradicional da política nacional, Ronaldo Caiado iniciou sua trajetória na década de 1980 e disputou sua primeira eleição para a Presidência da República em 1989. Elegeu-se Deputado Federal por Goiás em 1990, cargo em que permaneceu por cinco mandatos consecutivos (16 anos). Em 2015, conquistou uma vaga no Senado e, em 2019, assumiu o Governo de Goiás, sendo reeleito quatro anos depois.

 

Apesar de ostentar bons índices de aprovação administrativa no cenário estadual, a imagem de Caiado enfrenta desgaste no âmbito nacional. Mudanças de posicionamento recentes têm levado analistas e eleitores a questionarem suas reais intenções e, sobretudo, a coerência de sua postura.

 

No xadrez político, é compreensível e natural que um postulante ao Planalto troque farpas publicamente com adversários, como ocorreu nas redes sociais em relação a Eduardo e Flávio Bolsonaro. No entanto, o que chama a atenção é a dificuldade de Caiado em transmitir segurança ao eleitorado fora de sua base em Goiás. Críticos apontam despreparo e uma articulação política oscilante — que transita entre a busca pela imagem de um líder dialogante e moderado e o disparo de duras críticas a antigos aliados de quem dependeu para construir sua projeção atual.

 

O eleitorado demonstra crescente exaustão frente a essa dinâmica. A busca atual é por verdade e convicção e, sob esse prisma analítico, a candidatura de Caiado encontra resistência para se firmar.

 

Romeu Zema (Novo)

 

Rotulado por críticos como “morno”, Romeu Zema busca equilibrar um discurso que agrada ao liberalismo econômico tradicional enquanto tenta alcançar uma base conservadora mais ampla. Sua estreia na política ocorreu em 2018, quando venceu a disputa pelo Governo de Minas Gerais, sendo reeleito em primeiro turno em 2022.

 

A aproximação com a direita e com o ecossistema bolsonarista garantiu-lhe facilidades decisivas para a consolidação de seu mandato estadual. Contudo, o período pós-eleitoral trouxe questionamentos sobre sua imagem e sobre os impactos de suas articulações no campo conservador. Integrantes do Partido Liberal (PL) e apoiadores do ex-presidente passaram a comparar sua postura à de figuras que se valeram do capital político da família Bolsonaro para impulsionar a própria carreira, desencadeando ruídos após o distanciamento político.

 

Embora ostente uma pauta focada no corte de gastos, na atração de investimentos e na eficiência estatal, o segundo mandato de Zema em Minas Gerais tem enfrentado avaliações abaixo das expectativas iniciais. O cenário evidencia que o sucesso na iniciativa privada não se traduz automaticamente em êxito na gestão pública. Comandar um país com as dimensões e a complexidade do Brasil exige densidade técnica, visão estratégica, transparência e autenticidade — atributos que seus opositores afirmam faltar ao gestor mineiro.

 

Renan Santos (Missão MBL)

 

Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), criado em 2014, Renan Santos atuou por anos nos bastidores do debate público, coordenando protestos de oposição e a mobilização pelo impeachment de 2016. Em 2023, assumiu papel central na articulação e na fundação do Partido Missão.

 

Com mais de uma década de presença ativa na arena política, mas sem jamais ter ocupado cargos eletivos, Renan disputa agora sua primeira candidatura ao Palácio do Planalto.

 

Mas quem é Renan Santos?

 

Músico, cofundador da banda Limão Rosa e ex-aluno da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP) — curso que não chegou a concluir —, Renan construiu uma retórica direta e de forte impacto digital, atraindo a atenção do público jovem e de parcelas da direita que rejeitam a polarização tradicional.

 

Sua plataforma eleitoral fundamenta-se nos pilares do liberalismo econômico, da meritocracia e de propostas de segurança pública de linha dura, inspiradas em modelos internacionais. A estratégia é reforçada pelo detalhamento de propostas técnicas e pelo percurso por pequenos municípios do interior, longe das grandes capitais. Combativo e habituado ao confronto direto com adversários de ambos os lados do espectro político, promete imprimir dinamicidade aos debates.

 

O ponto central de reflexão sobre sua candidatura reside na ausência de experiência prévia na gestão pública. Resta saber se o candidato possui a maturidade necessária para governar o país e para administrar o passivo de controvérsias em que esteve envolvido ao longo da carreira. Afinal, a Presidência da República exige preparo concreto, não permitindo ensaios ou improvisações.

 

Flávio Bolsonaro (PL)

 

Visto por analistas como o perfil mais moderado da família do ex-presidente, Flávio Bolsonaro aposta no apoio direto do eleitorado conservador raiz, apresentando-se como o nome para dar continuidade ao movimento bolsonarista em escala nacional.

 

O candidato mobiliza uma parcela expressiva do eleitorado de direita e demonstra habilidade na construção de alianças partidárias estaduais. Defende um modelo de governança focado no enxugamento da máquina pública e na condução técnica dos ministérios por especialistas.

 

Sua trajetória política teve início em 2002, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro aos 21 anos, cargo no qual permaneceu até 2018. Em 2019, assumiu o mandato de senador da República pelo mesmo estado.

 

Em sua plataforma presidencial, Flávio destaca pautas históricas de segurança pública, programas sociais voltados para as mulheres e medidas de desoneração e controle de gastos. Ele argumenta que a união entre liberalismo econômico, incentivo à iniciativa privada, flexibilização de jornadas de trabalho e rigor na segurança pode gerar resultados positivos imediatos. Seus defensores sustentam que a maturidade adquirida no Congresso, somada à liderança de seu pai, credencia sua candidatura para reordenar o rumo do país.

 

Considerações finais

 

Para além do debate técnico e dos índices estatísticos, a necessidade de mudança na condução do país reflete-se no dia a dia da população — seja na alta dos supermercados, nos preços dos combustíveis ou na crescente sensação de insegurança urbana.

 

Para grande parte dos cidadãos, torna-se difícil identificar avanços na atual gestão federal, sobressaindo-se o contraste entre a recorde arrecadação tributária e a percepção de baixos retornos em serviços e obras estruturantes.

 

Diante desse cenário, o momento exige do eleitor uma análise rigorosa quanto ao preparo, à autenticidade e à capacidade real de cada candidato em entregar soluções efetivas, evitando decisões baseadas no oportunismo. Esta eleição desponta como um marco decisivo para o futuro nacional: definirá se o Brasil prosseguirá por caminhos que geram preocupação ou se tomará uma nova rota em direção aos ideais de Ordem e Progresso.

 

Sobre a autora

 

Fabiana Lavanhini é Administradora de Empresas formada pela UNIP, com 19 anos de experiência em treinamentos corporativos e desenvolvimento humano, acumulando passagens por grupos como Porto Seguro, GPA, Grupo Carrefour Brasil e Grupo Ultra. Especialista em capacitação profissional e comunicação estratégica, contribui com análises sobre liderança e gestão. É também palestrante no Instituto Cultural Voluntários pelo Brasil (3/8/2026)