Raízen entra com pedido de recuperação extrajudicial e dívida de R$ 65 bi
· Como parte da reestruturação, empresa de Cosan e Shell planeja venda de operação na Argentina para levantar US$ 1 bi até abril
· Plano tem objetivo de preservar caixa para pagamento de caixa e fornecedores durante negociações
A Raízen protocolou nesta terça-feira (10) pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 65 bilhões. A empresa, uma joint venture entre Cosan e Shell, enfrenta há meses uma crise por causa do endividamento.
Diferentemente do plano de recuperação judicial, em que todas as dívidas do grupo (trabalhistas, com fornecedores, bancos etc.) são renegociadas na Justiça, na recuperação extrajudicial a companhia escolhe um grupo de credores para fechar uma negociação e homologá-la depois junto ao Judiciário.
Também nesta terça, o Grupo Pão de Açúcar recorreu ao mesmo recurso, com dívida de R$ 4,5 bilhões.
A Raízen conseguiu adesão de detentores de mais de 40% do valor. Após o pedido, a empresa tem um prazo de 90 dias para elevar o atual apoio para a maioria simples (50% mais um), atingindo o quórum necessário para a validação do pacto. Durante esse período, não há pagamento da dívida principal nem de juros.
A companhia, que atua na produção de etanol e açúcar e na distribuição de combustíveis, produtos e serviços por meio da marca Shell, escolheu a recuperação extrajudicial para preservar caixa para o pagamento de fornecedores e funcionários.
Entre os credores da companhia há cerca de 15 bancos e detentores de títulos no mercado financeiro. De acordo com pessoa familiarizada com o assunto, a ideia é que os credores possam converter cerca de 40% em ações da companhia. Esse ponto ainda será negociado.
Pelo acordo, ficou acertado que a Shell vai injetar R$ 3,5 bilhões na empresa, como já havia sido adiantado há algumas semanas. O Aguassanta Investimentos, fundo da família de Rubens Ometto, controlador da Cosan, deve colocar os outros R$ 500 milhões.
A reestruturação inclui ainda o plano de venda da operação da Raízen na Argentina, com o objetivo de levantar US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) até abril. Com essas medidas, a expectativa é reduzir a relação dívida líquida/Ebitda de 5,5 vezes para algo entre 2,5 e 3 vezes.
O plano de recuperação extrajudicial está sendo liderado por Lourival Luz, ex-presidente da BRF (atual MBRF) e atual diretor financeiro da Raízen.
O caminho da empresa até o atual cenário financeiro aconteceu rapidamente e se deu por uma série de fatores.
Uma das maiores empresas de energia e bioenergia do mundo, a Raízen é uma joint venture que opera, desde 2011, a bandeira Shell no Brasil e na Argentina. Em agosto de 2021, quando realizou o segundo maior IPO (oferta pública inicial, em inglês) da bolsa brasileira, a companhia levantou R$ 6,9 bilhões e era avaliada em R$ 74,4 bilhões.
À época, a expectativa do mercado era forte no crescimento de biocombustíveis e energia limpa, atividade da qual a Raízen é dominante no país.
O modelo de negócio, no entanto, foi colocado à prova com dificuldades como condições climáticas e o aumento das queimadas. Em situações como essa, a safra de cana é diretamente impactada e a produção de açúcar e etanol é reduzida, pressionando as receitas e margens da companhia.
Além disso, com a Selic acima dos 10% ao ano, a partir de 2022, a operação da companhia ficou ainda mais complicada. Com juro caro, ficou difícil injetar dinheiro novo na operação através da captação no mercado.
O forte movimento de expansão também cobrou seu preço. A aquisição da Biosev, em 2021, por um total de R$ 6,5 bilhões era apontada pela companhia como importante para ampliar o parque industrial de cana-de-açúcar no país. O negócio, no entanto, se mostrou pouco rentável e exigiu altos investimentos em maquinário para aperfeiçoar as plantas da Biosev.
O próprio ciclo do açúcar, que até 2021 estava aquecido, acabou revertido. Fora isso, apostas mais sustentáveis, como o SAF (combustível sustentável de aviação) e o etanol de segunda geração, não deram retorno financeiro esperado.
No terceiro trimestre da safra 2024/2025, por exemplo, a Raízen registrou prejuízo de R$ 2,5 bilhões ante lucro de R$ 793 milhões no mesmo período do ano anterior.
Para a safra de 2025/2026, a deterioração dos resultados foi ainda maior: no 2° trimestre houve prejuízo líquido de R$ 2,3 bilhões e a dívida líquida ultrapassou R$ 53 bilhões.
Como forma de reverter prejuízos, a companhia passou a vender ativos, plantas de energia e usinas. Em julho do ano passado, a companhia vendeu as usinas Santa Elisa, por R$ 1,04 bilhão, e Leme, por R$ 425 milhões (ambas adquiridas da Biosev anteriormente), a usina Continental, por R$ 750 milhões, repassou projetos solares (pouco mais de R$ 1 bilhão) e negocia refinarias na Argentina que podem render US$ 1 bilhão.
A joint-venture formada com a Femsa pelo controle da rede de mercadinhos de bairro Oxxo, cambaleou e no mês passado a Raízen saiu formalmente do negócio.
Em outubro, a Raízen tentou cessar rumores e negou ao mercado que estivesse considerando uma recuperação judicial. Segundo fato relevante, a posição de caixa era "robusta", com R$ 15,7 bilhões em disponibilidades.
Ainda assim, no mesmo comunicado a companhia afirmava que os acionistas controladores discutiam alternativas de capitalização para fortalecimento da estrutura de capital e estratégia de longo prazo.
Já na virada do ano, a Bloomberg afirmou que Shell e Cosan discutiam uma injeção de capital de R$ 10 bilhões. O BTG Pactual, que nos últimos anos ampliou sua participação acionária na Cosan, entraria como um potencial parceiro.
No último dia 9, a companhia comunicou a contratação de consultores financeiros e jurídicos para desenvolver alternativas de fortalecimento de liquidez e otimizar estrutura de capital. Foram chamados para assessoramento legal e financeiro os escritórios Pinheiro Neto, Cleary Gottlieb e Rothschild.
As atualizações dos balanços trimestrais e a contratação de advogados levaram a uma revisão das agências de classificação, que passaram a enxergar risco elevado na operação devido à alta alavancagem e geração de caixa fraco.
RAIO-X | RAÍZEN
Fundação: 2011
Sede administrativa: Piracicaba (SP)
Funcionários: 45 mil
Concorrentes: Vibra, Ultrapar
Receita líquida: R$ 60,4 bilhões (entre outubro e dezembro de 2025)
Prejuízo líquido: R$ 15,6 bilhões (entre outubro e dezembro de 2025) (Folha, 11/3/26)
Raízen entra com processo de recuperação extrajudicial, dizem fontes

Acordo o inclui dívidas concursais de R$ 65 bilhões e estabelece standstill por 90 dias.
A Raízen, produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis, protocolou um plano de recuperação extrajudicial, segundo fontes a par do assunto e próximas à formulação do pedido ouvidas pelo CNN Money nesta terça-feira (10). A empresa conta com o apoio de credores representando mais de 40% da dívida.
A companhia incluiu no pedido R$ 65 bilhões em dívidas concursais. A empresa teria encerrado dezembro com R$ 17,3 bilhões em caixa.
Bancos concentram cerca de metade da dívida, enquanto bondholders, detentores de CRAs e debenturistas respondem pela outra metade. Ambos correspondem a 40% do montante.
O plano busca dar à empresa um ambiente protegido para preservar caixa, especialmente com a aproximação do início da safra de cana-de-açúcar, período que exige maior capital de giro.
A recuperação extrajudicial suspende apenas o serviço das dívidas financeiras, enquanto os pagamentos a fornecedores seguem normalmente, segundo a reportagem.
Na operação, a companhia está sendo representada pelos escritórios E.Munhoz Advogados e Pinheiro Neto, além da assessoria financeira da Rothschild & Co.
Na última quarta-feira (4), a Raízen informou, em fato relevante, estar avaliando implementação de solução "abrangente e definitiva" para fortalecimento de sua estrutura de capital e sinalizou que poderia buscar uma recuperação extrajudicial, se necessário.
De acordo com o documento, a proposta em análise contempla a contribuição de capital no montante de R$ 4 bilhões, dos quais R$ 3,5 bilhões viriam do Grupo Shell e R$ 500 milhões de veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, que pertence à família do acionista controlador da Cosan.
Em fevereiro, a produtora de energia apresentou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26, resultado seis vezes superior ao apurado no mesmo período do ciclo anterior. No acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra, a companhia somou prejuízo de R$ 19,8 bilhões.
Já nesta terça-feira a Moody's Ratings rebaixou a nota de crédito da Raízen de Caa1 para Caa3. A agência de classificação de risco citou o elevado nível de endividamento da comapanhia e a geração eprsistente de fluxo de caixa negativo.
O rebaixamento aconteceu após a empresa anunciar possíveis medidas para reestruturar sua estrutura de capital. Entre elas está uma injeção de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell e um aporte adicional de R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.
O conglomerado Cosan falou em teleconfêrencia nesta terça-feira que espera ver nos próximos dias novos desdobramentos sobre um plano para a capitalização da Raízen. O CEO da Cosan, Marcelo Martins, disse que a companhia acredita que a evolução das discussões sobre a Raízen possa trazer uma solução satisfatória para o mercado.
"Nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen", declarou Martins (CNN, 10/3/26)
Credores negociam conversão de R$ 16 bi de dívida e podem virar sócios da Raízen
Raízen entra com processo de recuperação extrajudicial, dizem fontes
Acordo o inclui dívidas concursais de R$ 65 bilhões e estabelece standstill por 90 dias.
A Raízen, produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis, protocolou um plano de recuperação extrajudicial, segundo fontes a par do assunto e próximas à formulação do pedido ouvidas pelo CNN Money nesta terça-feira (10). A empresa conta com o apoio de credores representando mais de 40% da dívida.
A companhia incluiu no pedido R$ 65 bilhões em dívidas concursais. A empresa teria encerrado dezembro com R$ 17,3 bilhões em caixa.
Bancos concentram cerca de metade da dívida, enquanto bondholders, detentores de CRAs e debenturistas respondem pela outra metade. Ambos correspondem a 40% do montante.
O plano busca dar à empresa um ambiente protegido para preservar caixa, especialmente com a aproximação do início da safra de cana-de-açúcar, período que exige maior capital de giro.
A recuperação extrajudicial suspende apenas o serviço das dívidas financeiras, enquanto os pagamentos a fornecedores seguem normalmente, segundo a reportagem.
Na operação, a companhia está sendo representada pelos escritórios E.Munhoz Advogados e Pinheiro Neto, além da assessoria financeira da Rothschild & Co.
Na última quarta-feira (4), a Raízen informou, em fato relevante, estar avaliando implementação de solução "abrangente e definitiva" para fortalecimento de sua estrutura de capital e sinalizou que poderia buscar uma recuperação extrajudicial, se necessário.
De acordo com o documento, a proposta em análise contempla a contribuição de capital no montante de R$ 4 bilhões, dos quais R$ 3,5 bilhões viriam do Grupo Shell e R$ 500 milhões de veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, que pertence à família do acionista controlador da Cosan.
Em fevereiro, a produtora de energia apresentou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26, resultado seis vezes superior ao apurado no mesmo período do ciclo anterior. No acumulado dos nove primeiros meses do ano-safra, a companhia somou prejuízo de R$ 19,8 bilhões.
Já nesta terça-feira a Moody's Ratings rebaixou a nota de crédito da Raízen de Caa1 para Caa3. A agência de classificação de risco citou o elevado nível de endividamento da comapanhia e a geração eprsistente de fluxo de caixa negativo.
O rebaixamento aconteceu após a empresa anunciar possíveis medidas para reestruturar sua estrutura de capital. Entre elas está uma injeção de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell e um aporte adicional de R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.
O conglomerado Cosan falou em teleconfêrencia nesta terça-feira que espera ver nos próximos dias novos desdobramentos sobre um plano para a capitalização da Raízen. O CEO da Cosan, Marcelo Martins, disse que a companhia acredita que a evolução das discussões sobre a Raízen possa trazer uma solução satisfatória para o mercado.
"Nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen", declarou Martins (CNN, 10/3/26)
Credores negociam conversão de R$ 16 bi de dívida e podem virar sócios da Raízen

Unidade da Raizen em Piracicaba destinada a produzir o etanol de segunda geração, um biocombustível feito à partir de resíduos descartados no processo de produção do etanol comum. Foto: Claudio Coradini/Estadão
Por Raquel Landim
Companhia protocola o maior processo extrajudicial desse tipo já visto no Brasil; Oi e Odebrecht tiveram débitos maiores reestruturados, mas foram processos feitos já no âmbito judicial.
Credores e acionistas da Raízen, joint venture entre a Shell e a Cosan, estão negociando uma conversão de R$ 16 bilhões de dívida em capital e, se chegarem a um acordo, devem se tornar sócios da empresa, conforme pessoas próximas às conversas.
Os controladores também vão fazer um aporte de capital: R$ 3,5 bilhões virão da Shell e R$ 500 milhões, de Rubens Ometto, por meio da holding Aguassanta.
Caso o plano de reestruturação vingue, a expectativa é de que a dívida da Raízen seja cortada expressivamente. Hoje está em R$ 65 bilhões.
Sócio da Cosan, o BTG não participa do aporte neste momento. Foi a maneira de convencer os credores bancários a aceitar a negociação.
A Raízen está protocolando na madrugada desta quarta-feira, 11, um pedido de recuperação extrajudicial, quando a empresa pede uma proteção de 90 dias para não pagar suas obrigações.
É o maior processo extrajudicial desse tipo já visto no Brasil. Oi e Odebrecht tiveram débitos maiores reestruturados, mas foram processos feitos já no âmbito judicial.
Conforme apurou a coluna, está fora da mesa a separação de energia e distribuição de combustíveis — os dois principais negócios da Raízen — em companhias distintas, mas as conversas podem ser retomadas no futuro se houver sentido estratégico.
Ainda não é possível saber como vai ficar o desenho final do controle da Raízen, nem se o BTG vai sair diluído ou se vai acabar fazendo alguma capitalização no final do processo.
Shell
Havia uma expectativa dos bancos credores, da Cosan e até do Palácio do Planalto de que a Shell resgatasse a Raízen, mas não vingou.
A Shell estava disposta a colocar apenas R$ 3,5 bilhões na companhia, e isso era considerado uma “gota no oceano”. Nas discussões iniciais, a pressão era para que a Shell injetasse R$ 20 bilhões na empresa.
Pessoas próximas às discussões afirmam que a Shell não coloca hoje energia e distribuição de combustíveis em suas prioridades. O foco da empresa é extração de petróleo e retorno aos seus acionistas.
Chegou a ocorrer uma reunião no Palácio do Planalto da qual participaram Ometto, representantes da Shell, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O objetivo era tentar que a Shell entendesse a importância do mercado brasileiro, mas a companhia estrangeira foi inflexível.
As dívidas estão equilibradas entre bondholders estrangeiros e os maiores bancos nacionais e internacionais. São cerca de 20 bancos credores, incluindo Itaú, Santander, Bradesco, Bank of America, Citibank, BNP Paribas etc. Praticamente só não está o BTG, que não é credor, mas sócio da Cosan.
Em apenas uma semana de negociações, o time de advogados comandado pelo escritório E.Munhoz conseguiu a aprovação de detentores de 40% da dívida, incluindo praticamente todos os bancos. Falta reunir, porém, os bondholders, cujos detentores estão bastante diluídos (Estadão, 11/3/26)
Raízen tem rating rebaixado pela Moody’s em meio a dívida elevada

Foto Divulgação
Agência aponta endividamento e fluxo de caixa negativo como motivos; perspectiva do rating permanece em baixa.
Agência aponta endividamento e fluxo de caixa negativo como motivos; perspectiva do rating permanece em baixa • Divulgação
A agência de classificação de risco Moody’s Ratings rebaixou a nota de crédito da Raízen de Caa1 para Caa3, citando o elevado nível de endividamento da companhia e a geração persistente de fluxo de caixa negativo. A perspectiva do rating permanece negativa.
A agência também reduziu a classificação de títulos seniores sem garantia no valor de US$ 187 milhões, com vencimento em 2027, emitidos pela Raizen Fuels Finance e garantidos pela Raízen e pela Raizen Energia.
O rebaixamento ocorre após o anúncio feito pela empresa em 4 de março sobre possíveis medidas para reestruturar sua estrutura de capital. Entre elas está uma injeção de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell e um aporte adicional de R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.
A empresa também indicou a possibilidade de converter parte das dívidas em participação acionária, além de alongar prazos de pagamento do restante dos débitos. Outra alternativa considerada é a abertura de um processo de reestruturação fora do ambiente judicial para negociar com credores e buscar uma solução consensual para o passivo.
Segundo a Moody’s, caso essas medidas avancem como descritas, aumenta a probabilidade de uma operação considerada equivalente a troca de dívida em situação de estresse financeiro ou até mesmo um evento similar a default, cenário compatível com a classificação Caa3.
A agência destacou que o rebaixamento reflete a deterioração dos indicadores financeiros da companhia. Entre os fatores citados estão o elevado nível de alavancagem, o peso das despesas com juros e o desempenho mais fraco do que o esperado no principal negócio da empresa, o segmento de açúcar e etanol.
De acordo com a Moody’s, a moagem abaixo do potencial e a menor diluição de custos devem continuar pressionando os resultados da companhia na safra 2025–2026. O nível atual de endividamento também limita a capacidade da empresa de gerar caixa de forma consistente.
A agência estima que a alavancagem da companhia deve encerrar o ciclo agrícola acima de 5,9 vezes, com fluxo de caixa livre ainda negativo. Na avaliação da Moody’s, a empresa precisaria melhorar seus indicadores financeiros e fortalecer a liquidez para lidar melhor com a volatilidade típica dos mercados de commodities.
A Moody’s avalia que a situação atual é consequência da estratégia adotada antes do atual ciclo de reestruturação, quando a empresa seguiu um modelo de crescimento acelerado sustentado por endividamento.
Apesar das pressões financeiras, a agência ressalta que a Raízen mantém posição relevante nos mercados de produção de cana-de-açúcar e distribuição de combustíveis no Brasil.
A companhia é uma joint venture formada pela Cosan e pela Shell. No momento, a Moody’s não considera suporte financeiro direto dos acionistas na avaliação do rating, embora reconheça que a empresa se beneficia da marca e da expertise de gestão da Shell, além do conhecimento operacional da Cosan no mercado brasileiro.
A agência também destacou que a maioria dos instrumentos de dívida da companhia conta com garantias cruzadas entre a Raízen e a Raízen Energia.
Segundo a Moody’s, um novo rebaixamento pode ocorrer caso a empresa anuncie uma troca de dívida em condições de estresse financeiro ou alguma operação semelhante a um evento de inadimplência.
Por outro lado, uma melhora na classificação de risco dependeria de uma redução significativa do endividamento sem a necessidade de reestruturação forçada, além da manutenção de liquidez adequada, melhora consistente no desempenho operacional e redução dos investimentos para permitir a retomada da geração de fluxo de caixa positivo (CNN, 10/3/26)

