26/02/2026

Recuperação de safra diminui pressão no preço do café neste ano

Recuperação de safra diminui pressão no preço do café neste ano

Imagem Freekip

  • Recomposição mundial ainda depende do clima, e atenções se voltam para o Brasil
  • Após oferta menor e custo elevado, demanda volta a crescer nos países consumidores

 

Após um período de oferta menor, queima de estoques e preços elevados, o que pesou no bolso dos consumidores e diminuiu a demanda por café, a produção do grão caminha para um ciclo mais normal neste ano, com perspectivas, inclusive, de safra recorde no Brasil, o maior produtor mundial.

 

Foram anos de choque de oferta e de preços. Os gargalos começaram com geada e quebra de produção no Brasil na safra de 2021, mas pandemia, juros elevados e problemas logísticos deram uma dimensão maior ao cenário.

 

Este ano vai ser marcado especialmente pela colheita brasileira de 2026/27, que vai de abril a agosto. A expectativa é de uma safra recorde, segundo Laleska Moda, analista da Hedgepoint. A Indonésia também segue o calendário brasileiro, mas a produção de conilon poderá ser menor. Outras regiões, como Vietnã, América Central e leste da África, estão terminando a safra 2025/26.

 

As avaliações de Laleska coincidem com as de Gil Barabach, da Safras & Mercado, e dos analistas do Cepea (Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada). Para Barabach, o mercado estará de olho no Brasil, e o cenário é bom, uma vez que as chuvas ocorrem no período de enchimento de grãos. Fica para trás 2025, um período de dificuldades na compra de café, e deve entrar um ano de melhora na oferta.

 

Para o Cepea, as precipitações nas áreas de cultivo de arábica têm sido expressivas e benéficas, e esta deverá ser a primeira safra desde a de 2020/21 a superar 60 milhões de sacas. As condições climáticas dos próximos meses, no entanto, ainda estão no radar dos agentes, especialmente em função da fase final de enchimento dos grãos, sobretudo para o arábica.

 

Com base nas condições atuais, Laleska estima uma safra de arábica de 46,5 milhões a 49 milhões de sacas, o que será um recorde para o país. A safra de robusta fica de 24,6 milhões a 25,4 milhões, um volume inferior às 27 milhões de sacas de 2025/26, mas ainda acima da média.

 

Com o aumento da produção, o Brasil terá mais café para exportar, o que ajuda a elevar o saldo mundial positivo em 7,2 milhões de sacas entre oferta e demanda. Na safra 2026/27, a produção total de café sobe para 188 milhões de sacas, e a demanda se mantém em 181 milhões, segundo dados da Hedgepoint. Este seria o segundo ano de saldo positivo, após quatro de oferta menor do que o consumo.

 

Segundo Laleska, as exportações brasileiras de café arábica ficam de 36,7 milhões a 37,8 milhões de sacas em 2026/27. Já as de conilon, menores do que as de 2025/26, giram em torno de 8,8 milhões a 9 milhões de sacas.

 

A mistura de café para o mercado interno deve continuar dando maior peso para o conilon, devido ao custo do arábica. Os preços caem levemente no ano, e haverá uma recuperação da demanda, segundo a analista da Hedgepoint.

 

Barabach afirma que a alta de preços fez a demanda retrair nos mercados mais tradicionais, como União Europeia, Estados Unidos e o próprio Brasil, mas a pressão neste ano será menor. Os mercados emergentes, que ajudaram a segurar parte da demanda no ano passado, vão abrir mais espaço para o consumo neste ano. É uma boa notícia, afirma o analista.

 

No curto prazo, as atenções se voltam para a movimentação cambial e para as vendas dos agricultores em países como Brasil, Colômbia e Vietnã. O clima e o ritmo de recuperação dos estoques mundiais também ajudam a definir o cenário para os preços, segundo a analista da Hedgepoint.

 

No médio prazo, Laleska destaca eventuais riscos climáticos na safra brasileira, andamento da colheita da Indonésia e importações dos principais consumidores. No longo prazo, a preocupação é com possível desenvolvimento do El Niño, recuperação dos estoques, colheita 26/27 do Vietnã e safra 27/28 do Brasil (Folha, 26/2/26)