08/07/2026

Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX

Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX

PETRÓLEO

 

A StoneX projeta que o mercado global de petróleo permanecerá em déficit durante o terceiro trimestre de 2026, mesmo após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Embora os preços tenham recuado com a diminuição das tensões geopolíticas, a recuperação da oferta no Golfo Pérsico deve ocorrer de forma gradual, enquanto estoques estratégicos reduzidos, gargalos logísticos persistentes e a retomada da demanda asiática continuam sustentando um cenário de aperto.

 

Além disso, a capacidade dos Estados Unidos de compensar eventuais interrupções de oferta está mais limitada devido ao baixo nível de reservas estratégicas, o que reforça a perspectiva de um mercado fisicamente ajustado ao longo do trimestre. “A combinação entre recuperação da demanda na Ásia e consumo resiliente nos Estados Unidos cria um ambiente de pressão adicional sobre os estoques globais. Como resultado, seguimos vendo um mercado deficitário ao longo do terceiro trimestre”, afirma Bruno Cordeiro dos Santos, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX.

 

FERTILIZANTES

 

Com a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, o mercado global de fertilizantes inicia o terceiro trimestre de 2026 em um ambiente menos volátil, embora desafios relacionados à oferta, à logística e aos custos de produção ainda exijam atenção dos compradores. A expectativa de retomada gradual dos fluxos comerciais pelo Estreito de Ormuz e o retorno das exportações chinesas de ureia devem contribuir para melhorar as condições de abastecimento global, mas os fundamentos seguem distintos entre os segmentos.

 

Enquanto os nitrogenados podem encontrar suporte para recuperação dos preços diante da recomposição de estoques e da retomada da demanda, os fosfatados continuam enfrentando limitações de oferta e custos elevados de produção, especialmente pela escassez global de enxofre. Já o mercado de potássicos deve permanecer relativamente equilibrado.

 

No Brasil, além da necessidade de acelerar as compras para a próxima safra, desafios logísticos e custos financeiros elevados seguem no radar dos produtores. “A evolução das tratativas diplomáticas representa um fator importante para a redução dos riscos no mercado global de fertilizantes. Embora não elimine a possibilidade de novos episódios de instabilidade, esse cenário contribui para melhorar a visibilidade dos agentes do setor e reforça as expectativas de normalização dos fluxos comerciais ao longo do segundo semestre”, afirma Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

 

CLIMA

 

O fortalecimento do El Niño deve ser o principal fator de risco para a agricultura global no terceiro trimestre de 2026, trazendo maior probabilidade de irregularidades nas chuvas e temperaturas acima da média em importantes regiões produtoras. A expectativa é de impactos sobre culturas como soja, café, açúcar, algodão, trigo e cacau, com riscos que variam conforme o estágio de desenvolvimento das lavouras e as condições locais de umidade.

 

No Brasil, a atenção se concentra especialmente no retorno das chuvas para o início da safra de verão, enquanto outras regiões do mundo monitoram possíveis episódios de calor excessivo e estresse hídrico. “O terceiro trimestre será marcado pela consolidação do El Niño e por um aumento expressivo do risco climático em diversas regiões produtoras. O fenômeno tende a modificar padrões de chuva e temperatura em escala global, exigindo atenção redobrada de produtores e agentes do mercado”, afirma Carolina Giraldo, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

 

SOJA

 

Apesar de um cenário global de oferta confortável, o mercado de soja entra no terceiro trimestre de 2026 com maior sensibilidade aos fatores climáticos e à evolução da demanda. As atenções se voltam principalmente para a safra dos Estados Unidos, que atravessa seu período mais crítico de desenvolvimento sob a influência crescente do El Niño, enquanto o avanço da indústria de biocombustíveis e o cumprimento dos acordos comerciais entre China e Estados Unidos podem alterar o equilíbrio do mercado.

 

Ao mesmo tempo, a oferta robusta de Brasil e Argentina continua garantindo ampla disponibilidade global da oleaginosa. “O terceiro trimestre será decisivo para o mercado de soja porque coincide com a fase crítica da safra norte-americana. Embora o balanço global ainda seja confortável, a definição da produtividade nos Estados Unidos continuará sendo o principal fator de formação de preços”, afirma Ana Luiza Lodi, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX.

 

CAFÉ

 

Após dois anos marcados por preocupações com a disponibilidade global de café, o mercado entra no terceiro trimestre de 2026 com perspectivas mais confortáveis de oferta, impulsionadas pela chegada da safra recorde brasileira e pelo aumento da produção no Vietnã. Esse cenário deve aliviar parte da pressão observada nos preços e gerar um superávit global da commodity, embora fatores como o ritmo de comercialização, a recomposição dos estoques e a evolução do El Niño continuem sustentando a volatilidade.

 

À medida que o trimestre avança, os agentes do mercado também devem voltar a monitorar os riscos climáticos para a safra 2027/28 no Brasil e no Sudeste Asiático. “A partir de julho e, principalmente, de agosto, volumes mais expressivos da nova safra brasileira devem chegar ao mercado internacional. Isso tende a reduzir o aperto observado nos últimos anos e aliviar a pressão sobre os diferenciais de exportação”, afirma Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX.