15/06/2026

Resistência política trava nomeação em nova diretoria da Embrapa

Resistência política trava nomeação em nova diretoria da Embrapa

Nomeação de novo diretor de Negócios da Embrapa trava no Poder Executivo — Foto Divulgação Embrapa

 

Ministério da Agricultura afirma que nome ainda não está definido e não confirma o nome de Alexandre Alonso, escolha do conselho da estatal no fim de abril.

 

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aguarda há mais de um mês o encaminhamento interno no governo federal da nomeação do pesquisador Alexandre Alonso para o comando da recém-criada Diretoria de Negócios da estatal. Atual chefe da Embrapa Agroenergia, ele teve o nome aprovado por unanimidade no fim de abril pelo Conselho de Administração (Consad), mas o seguimento do processo tem enfrentado resistências no Executivo, apurou a reportagem.

 

O Ministério da Agricultura disse que ainda não houve definição de quem irá assumir o cargo na nova diretoria. Fontes a par do assunto afirmam que pressão política trava o prosseguimento do processo.

 

A mudança de presidência no Consad gerou nova expectativa na estatal. Membros do conselho e do alto escalão da estatal esperam que o novo presidente, Guilherme Coelho, consiga destravar a nomeação de Alonso e fazer com que a nova diretoria efetivamente saia do papel.

 

Próximo do ministro André de Paula, Coelho já foi demandado para tentar dar andamento ao processo. Procurado, ele não respondeu.

 

Na estatal, a demora na nomeação tem gerado incômodo. Fontes dizem que a indefinição dificulta a coordenação de iniciativas que a empresa queria ver sair do papel rapidamente com a nova diretoria, como a modernização dos mecanismos de inovação, aprimoramento da gestão de receitas próprias, estruturação de novos instrumentos de financiamento e a ampliação do relacionamento.

 

Uma pessoa relatou que há disputas internas e dificuldades de alinhamento no ambiente de indefinição. Há preocupação também com o recado ao mercado e aos parceiros com a demora na nomeação do diretor de uma área considerada estratégica e prioritária. Interlocutores apontam risco de perda de oportunidades.

 

A criação da nova diretoria de Negócios foi aprovada na Assembleia-Geral Ordinária da Embrapa de abril deste ano após tramitação no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

 

A estruturação da área terá “ênfase em modelos inovadores de captação de recursos e na definição de fluxos e políticas de distribuição que fortaleçam a Embrapa como empresa única”, diz ata da reunião mais recente do Consad.

 

O foco será no relacionamento com o setor privado e na geração de novas fontes de financiamento, para evitar a dependência exclusiva do orçamento público.

 

Três servidores se candidataram à vaga de diretor em processo interno de seleção: Alexandre Alonso, Carina Gomes Rufino (da Embrapa Soja) e Daniel Trento (da Assessoria de Projetos Especiais). Nessa sexta-feira (12/6), André de Paula conversou com os três candidatos, disse uma fonte. Consultado, o ministério não comentou.

 

O nome de Alexandre Alonso foi aprovado por unanimidade pelo Consad no fim de abril e encaminhado ao Ministério da Agricultura, que tem segurado a indicação desde então, informaram fontes. A Pasta precisa encaminhar o nome do pesquisador para a Casa Civil, o que ainda não ocorreu.

 

O Ministério da Agricultura disse, em nota enviada antes das reuniões da sexta-feira, que “o nome ainda não foi definido” e que “assim que a decisão for formalizada, a informação será divulgada oportunamente”. A Pasta já aprovou, para a fase inicial, a criação do cargo de diretor, de uma gerência-geral e de um assessor para a diretoria de Negócios.

 

A criação dessa diretoria foi ideia do ex-presidente do Consad, Carlos Augustin, que queria dar “um pingo de capitalismo” para a empresa. A intenção é destravar novas parcerias e a arrecadação de recursos privados para o financiamento da pesquisa agropecuária pública.

 

O conselho indicou que a nova diretoria precisa entregar “resultados diferenciados e disruptivos, com modelos inovadores de captação de recursos, a exemplo de fundos imobiliários, fundos soberanos e fundos internacionais”, diz a ata da reunião de 23 de abril, em Brasília.

 

A criação da diretoria foi contestada pelo sindicato dos empregados da Embrapa (Sinpaf). A entidade defende maior transparência no processo, responsabilidade fiscal e preservação da “missão pública” da empresa.

 

Procurada, a Embrapa informou que enviou para o Ministério da Agricultura, em 30 de abril, o resultado do processo seletivo realizado pelo Consad, que escolheu Alexandre Alonso para a vaga. “Cabe ao ministério e à Casa Civil a decisão final”, disse em nota.

 

A estatal informou ainda que se reuniu com o sindicato dos empregados no início de maio para prestar esclarecimentos sobre a criação da diretoria (Globo Rural, 13/6/26)