08/07/2026

Risco geopolítico do Brasil passa por decisões dos EUA, aponta Arko Advice

Risco geopolítico do Brasil passa por decisões dos EUA, aponta Arko Advice

Reprodução CNN

Decisões da Casa Branca sobre tarifas e segurança pública trarão holofotes "inéditos" à política externa nas eleições.

 

O risco geopolítico para o Brasil passa majoritariamente pelas decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Isso é o que aponta o relatório "Risco Brasil", lançado neste mês pela consultoria política Arko Advice, parceira de conteúdo do WW.

 

As tensões na política internacional são vistas como um risco médio, de nota 48 em uma escala de zero a 100. O viés é de alta, ou seja, com uma chance de agravamento da situação ao longo dos próximos meses.

 

A empresa explica que os temas relacionados ao exterior terão efeitos domésticos e eleitorais neste ano. "Nós nunca tivemos uma influência tão grande da geopolítica em uma eleição, acho que a última vez que isso ocorreu foi em 1945 por causa da Segunda Guerra Mundial", afirmou o cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, ao WW desta terça-feira (7).

 

O primeiro é a designação, por parte dos EUA, das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas. A consultoria explica que o tema gera efeitos diplomáticos e financeiros e já pesa diretamente como um fator de risco.

 

Além disso, pontua que novos atos do Departamento do Tesouro americano - como aplicação de sanções a empresas e personalidades possivelmente ligadas aos grupos criminosos - também seriam capazes de agravar o cenário no ciclo eleitoral.

 

Essa decisão já gerou rusgas entre Brasília e Washington. Nesta segunda (6), o Itamaraty afirmou que vê possibilidade do uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro e que a classificação "não trará benefícios concretos no combate ao crime organizado".

 

Departamento de Estado respondeu e tratou a hipótese de um ataque como "absurda", além de defender as medidas de segurança da Casa Branca.

O segundo peso é a instabilidade no Estreito de Ormuz e o preço do petróleo. Mesmo com um acordo de cessar-fogo, a recuperação do tráfego marítimo ainda é lenta e sofre com interferências.

 

Antes da guerra entre Estados Unidos e Irã, cerca de 100 navios comerciais cruzavam a passagem diariamente, com a nova trégua e a reabertura do local, o número chegou a 34 no dia 4 de julho. No entanto, constantes trocas de ataques entre os dois países aumentam os riscos à navegação e podem prejudicar a estabilização nos valores do combustível.

 

"A disputa sobre o controle do Estreito e a retomada parcial do tráfego mantêm o petróleo e o diesel como gatilhos diretos para inflação e abastecimento", explica o relatório.

 

A Arko também classifica o impasse tarifário como um fator de risco. O texto diz que o desenrolar das negociações no USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre a aplicação de tarifas de 25% por supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil precisará ser observado - e podem criar novos riscos.

 

As tarifas, no entanto, não se mostram como um assunto capaz de decidir as eleições, destaca Aragão. Segundo ele, a questão pode não demonstrar peso direto ao eleitor - mas mudará as estratégias das campanhas.

 

"É a primeira vez que a questão internacional entra no balaio eleitoral", pontuou. "Isso desarruma a narrativa dos candidatos... Ambos os ponteiros das eleições podem ser prejudicados pela questão", finalizou (CNN, 7/7/26)