RJ: Justiça aprova pedido da Aliança Agrícola do Cerrado
Justiça suspendeu por 180 dias a cobrança de dívidas da Aliança Agrícola do Cerrado — Foto: Reprodução/Instagram
Companhia tenta renegociar dívidas de R$ 1,16 bilhão com, aproximadamente, 1 mil credores.
A juíza Claudiana Silva de Freitas, da 10ª Vara Cível de Uberlândia, em Minas Gerais, deferiu o pedido de recuperação judicial da Aliança Agrícola do Cerrado, trading controlada pelo grupo russo Sodrugestvo. A companhia tenta renegociar dívidas de R$ 1,16 bilhão com, aproximadamente, 1 mil credores.
Como parte da decisão, a justiça suspendeu por 180 dias a cobrança de dívidas da empresa e estabeleceu o prazo de 60 dias para a companhia apresentar um plano de pagamento das dívidas e recuperação dos negócios.
A Aliança Agrícola do Cerrado é representada pelo escritório Attie, Brito e Bastos Advogados Associados. Também foram incluídas no processo as empresas Aliança Transportes Agrícola do Cerrado Logística (ATAC Logística) e Aliagro Trading, que compõem o mesmo grupo.
A empresa pediu recuperação judicial em janeiro deste ano, mas a solicitação foi negada inicialmente pela juíza, que questionou a capacidade da companhia se reerguer.
Há menos de um mês, a Aliança Agrícola do Cerrado obteve uma tutela antecipada para suspender a execução de dívidas, bloqueio de bens e penhora de ativos. A decisão foi tomada pela mesma juíza, após a empresa recorrer da primeira decisão.
Os maiores credores são Banco do Brasil, com R$ 135 milhões, Ecoagro Participações (R$ 110,6 milhões), Macquarie Bank (R$ 104 milhões), Santander (R$ 95,6 milhões) e XP Investimentos (R$ 80 milhões).
A Aliança Agrícola do Cerrado informou que a “queda nos preços da soja, a elevada volatilidade no mercado de trading e o aumento relevante dos custos financeiros impactaram severamente a liquidez e a capacidade de serviço da dívida da companhia”.
A companhia possui atualmente em torno de 200 empregados, com sede em Uberlândia (MG) e unidades industriais em São Joaquim da Barra (SP) e Bataguassu (MS).
A empresa informou que, como parte da estratégia de reestruturação do negócio, fechou um contrato de industrialização de soja com a ADM do Brasil. O contrato, segundo a Aliança Agrícola, vai permitir o uso de 80% da capacidade das unidades industriais, viabilização a manutenção de mais de 200 empregados e a realização de investimentos necessários à preservação dos seus ativos.
A expectativa da companhia é gerar uma receita líquida de aproximadamente R$ 140 milhões, desvinculada da volatilidade do mercado da soja (Globo Rural, 9/4/26)

