20/01/2026

Senador Girão diz ter reunido assinaturas para criar CPI do Master

Senador Girão diz ter reunido assinaturas para criar CPI do Master

Plenário do Senado Federal, em Brasília. Foto Mateus Bonomi Reuters

 

Parlamentar é autor de requerimento para criar comissão voltada à investigar irregularidades envolvendo instituição financeira; agora, cabe ao presidente do Senado ler requerimento de instalação e designar um presidente para o grupo.

 

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou à CNN ter reunido assinaturas para criar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) voltada a apurar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A proposta apresentada por Girão conta com 42 assinaturas, 25 a mais do que o mínimo necessário – um terço do Senado.

 

A partir de agora, cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UNião-AP), ler o requerimento de instalação da comissão e designar um presidente para chefiar os trabalhos do colegiado.

 

O Congresso Nacional, atualmente, tem ativas a CPMI do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e a CPI do Crime Organizado.

 

Ainda que em pleno recesso legislativo, parlamentares têm se mobilizado para angariar apoio em torno da criação de CPI para investigar o caso Master. Congressistas de oposição e base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se movimentam.

 

Têm reunido assinaturas os deputados Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Marcos Pollon (PL-MS), Carlos Jordy (PL-RJ), Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchiona (Psol-RS). Há propostas tanto de criação de CPIs e de CPMIs (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito).

 

A investigação conduzida pela PF (Polícia Federal) apontou fraude de cerca de R$ 12 bilhões. Indícios de fraude levaram à liquidação extrajudicial do banco pela autoridade monetária brasileira.

 

O caso repercute em Brasília não só pelo montante questionado, mas também pelas relações políticas do dono do Master, Daniel Vorcaro. A oposição, por exemplo, vê nos elos entre Vorcaro e a família de Alexandre de Moraes um trunfo para atacar a atuação do ministro no STF (Supremo Tribunal Federal).

 

O requerimento de Jordy cita contrato supostamente firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o banco Master. O ministro, em nota, ressaltou que a esposa “jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”.

 

Outro eixo que os parlamentares pretendem explorar caso o colegiado seja instalado é quanto à atuação do BRB (Banco Regional de Brasília) no caso (CNN Brasil, 19/1/26)



Master: Senador aciona PGR sobre possível conflito de interesse de Toffoli

Em discurso, à tribuna, senador Eduardo Girão (Novo-CE). Foto Jefferson Rudy-Agência Senado

 

Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou representação ao órgão em que questiona decisão do ministro.

 

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) entrou com representação na PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal). O parlamentar questiona a atuação do magistrado no inquérito que investiga fraude bilionária no Banco Master.

 

Girão solicitou à PGR a instauração imediata de procedimento investigatório para apurar as irregularidades apontadas e “análise técnica independente sobre possíveis conflitos de interesse e impedimentos que deveriam afastar o Ministro Toffoli das investigações relacionadas ao Banco Master”.

 

O documento, que é dirigido ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi protocolado na última quarta-feira (14). Na petição, Girão contesta decisão de Toffoli de que materiais lacrados apreendidos em operação da PF (Polícia Federal) deveriam ser remetidos diretamente ao STF.

 

Inicialmente, o ministro determinou que todos os bens, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos pela PF fossem lacrados e enviados diretamente para a sede do Supremo.

 

Diante de pedidos de reconsideração, o ministro determinou que o material fosse enviado à PGR para análise. Em seguida, ainda em meio à repercussão negativa da determinação, Toffoli autorizou que a PF também tivesse acesso ao material apreendido.

 

Na representação à PGR, Girão defende que a medida impediu o exercício da função constitucionalmente atribuída à PF.

“A ausência de critérios objetivos cria precedente perigoso que permite ao magistrado avocar competências técnicas que não possui, neutralizar o trabalho investigativo de órgãos especializados e concentrar poderes incompatível com o sistema acusatório”, sublinhou.

 

O senador da República ainda aponta que “o contexto se torna ainda mais delicado quando consideramos que familiares próximos do Ministro Toffoli e pessoas de seu círculo íntimo mantêm relações comerciais com possíveis envolvidos no escândalo do Banco Master.”

 

“Tais circunstâncias levantam questões inevitáveis sobre imparcialidade judicial e conflito de interesses, princípios fundamentais do Estado de Direito. A situação é grave e demonstra que não se trata de preocupação isolada, mas de questionamento institucional legítimo sobre a conduta de membro da mais alta Corte do país”, ressaltou (CNN Brasil, 19/1/26)