23/09/2025

SENAR: Taxas pagas pelos produtores rurais bancam evento da Faesp nos EUA

Orange County Convention Center de Orlando, Flórida, EUA

Não será nenhuma surpresa para quem acompanha os sucessivos e reiterados atos de flagrante desvio de finalidade praticados por Tirso Meirelles, presidente sub judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar/SP, que tenta suceder ao seu pai  Fábio de Salles Meirelles que comandou a entidade por quase meio século e que teve sua eleição e auto posse anuladas por irregularidades em dezembro de 2023 pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, mais uma denúncia sobre sua gestão.

Isto porque, neste momento, Juliana Farah, companheira de Tirso Meirelles e presidente da Comissão Semeadoras do Agro encontra-se em Orlando nos Estados Unidos, participando no Orange County Convention Center do WIA - Women in Agribusiness Summit 2025, evento sem nenhuma relevância científica ou tecnológica à altura do protagonismo global do agro brasileiro.

Painel dos patrocinadores do WIA Summit 2025 com os nomes dos patrocinadores do evento incluindo a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Senar

Juliana Farah participa do evento a partir do pagamento de uma cota de patrocínio da Faesp/Senar, que mais uma vez, transfere de forma no mínimo imoral recursos pagos pelos produtores rurais paulistas ao Senar/SP. Estes vultuosos recursos, na proporção de 0,2% de cada documento fiscal emitido pelos agricultores e pecuaristas (pessoas físicas e jurídicas) para financiar programas de formação profissional, assistência técnica e promoção social no meio rural.

Juliana Farah fazendo seu credenciamento no WIA - Women in Agribusiness Summit 2025,

Desde que assumiu o cargo de presidente da Comissão de Semeadoras do Agro na Faesp/Senar, Juliana Farah tem sido apontada por lideranças dos produtores rurais pela promoção de encontros sociais e festivos sem qualquer sinergia com as ações das autênticas produtoras rurais, as que possuem CNPJ e que lidam com os recursos naturais para a produção de alimentos, fibras e biocombustíveis.

Juliana Farah, presidente da Comissão de Semeadoras do Agro da Faesp/Senar. Foto Reprodução Revide

“Até agora nem Juliana Farah e nem Tirso Meirelles explicaram o montante de recursos que transferem do Senar para estes eventos. Na verdade, os eventos constituem na única estratégia desenvolvida pelo gestor sub judice. Ao mesmo tempo, os produtores das duas principais commodities rurais da economia paulista, a cana-de-açúcar e a citricultura, são perseguidos por participarem do movimento de oposição “Nova Faesp” não participam do rateio de recursos para as atividades do Senar”, afirma conhecida liderança do setor.

Isto porque os Sindicatos Rurais de Ribeirão Preto e de Araraquara vem denunciando as arbitrariedades e irregularidades que vem sendo cometidas pelo presidente sub judice Tirso Meirelles. Segundo João Henrique de Souza Freitas, secretário Municipal da Agricultura e vice-presidente do Sindicato Rural de Araraquara “a Faesp/Senar chega ao acinte de descumprir medidas judiciais determinadas pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na questão da suspensão de repasse das verbas do Senar”, lamenta.

Nas últimas semanas foram destaque na mídia o evento que Juliana Farah organizou em Ribeirão Preto para, segundo ela, “cerca de 3 mil mulheres”, que tiveram todas suas despesas pagas (transporte, alimentação, trajes, dentre outros). Lideranças dos produtores rurais cobraram dela o valor que havia sido “investido” no evento, a origem dos recursos e a comprovação de que o grupo de mulheres efetivamente era composto por produtoras rurais.

Logo depois de Ribeirão Preto, Juliana Farah participou de evento no Rio de Janeiro onde a sua “caravana” anunciou que o Cristo Redentor teria recebido iluminação especial na cor verde em homenagem ao agronegócio. Para tentar justificar sua falácia, companheiras dela publicaram em blogs fotos do Cristo iluminado na cor verde extraídas de publicações da campanha do Ministério da Saúde de Doação de Órgãos de 2022.

As viagens e as festas que se sucedem e são protagonizadas por Juliana Farah e Tirso Meirelles, ocorrem ao mesmo tempo em que o superintendente do Senar São Paulo, Mário Antonio de Moraes Biral, notificava os presidentes de sindicatos rurais paulistas de que os pagamentos programados para este mês de setembro estavam suspensos por falta de previsão financeira da entidade.

Women in Agribusiness Summit 2025

Imagens feitas ontem (23) do Orange County Convention Center de Orlando, Flórida, mostravam dois estandes de promoção comercial. O primeiro, do Comitê de Mulheres da Sociedade Rural Brasileira, presidido pela produtora rural Lucia Bortolozzo, decorado com uma bandeira do Brasil e com bastante movimento e, ao lado, o da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, vazio, decorado apenas com uma mesa e uma cadeira ocupada por Juliana Farah.

Lucia Bortolozzo, produtora rural e coordenadora do Comitê de Mulheres da Sociedade Rural Brasileira. Foto Arquivo Pessoal

Produtoras brasileiras lamentavam que os dois grupos, SRB e Faesp, deveriam estar juntas e creditavam à Juliana Farah o distanciamento entre as atividades de ambas as entidades. “Parece que acordos não teriam sido cumpridos e isto é lamentável pois denota ações divididas que prejudicam a imagem do agronegócio brasileiro”. As mesmas fontes afirmaram que dos Estados Unidos, após o evento de Orlando, Juliana Farah viajaria à Bélgica para cumprir agenda promocional naquele país europeu (Da Redação, 23/9/25)

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Senar

O imposto do SENAR refere-se à contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), que é uma contribuição parafiscal cobrada sobre a comercialização da produção rural.

Essa contribuição tem como objetivo financiar programas de formação profissional, assistência técnica e promoção social no meio rural.

Aqui vai um resumo bem claro:

•        Produtor Rural Pessoa Física (ex.: fazendeiros, agricultores, pecuaristas) que comercializa sua produção.

•        Pessoa Jurídica Rural (empresa rural) também contribui.

•        Segurado Especial (pequeno produtor) é obrigado quando comercializa, mas há casos de isenção em operações específicas.

Base de cálculo

•        O imposto é calculado sobre a receita bruta da comercialização da produção rural (venda de animais, grãos, leite, etc.).

Alíquotas principais

Atualmente, as alíquotas mais comuns são:

•        Produtor rural pessoa física:

o       0,2% (dois décimos por cento) da receita bruta da comercialização.

•        Pessoa jurídica:

o       Também 0,2% sobre a receita bruta.

•        Segurado especial:

o       Também 0,2%, quando comercializa.

Obs.: A contribuição ao SENAR é adicional à contribuição previdenciária rural (INSS/ Funrural).

Forma de recolhimento

•        Pessoa física: geralmente é a empresa adquirente (quem compra a produção) que retém e recolhe a contribuição no momento do pagamento, usando GPS (Guia da Previdência Social) ou via DARF em algumas situações.

•        Pessoa jurídica: recolhe diretamente quando comercializa.

Destinação

O valor arrecadado financia cursos, treinamentos, assistência técnica e ações de promoção social voltadas ao homem do campo (IA, 23/9/25)