06/11/2026

Setor de biodiesel passa a contar com nova certificação

Setor de biodiesel passa a contar com nova certificação

Presidente da Aprobio, Jerônimo Goergen — Foto Divulgação

 

Combustível passará por análises laboratoriais, e a indústria será alvo de auditoria independente.

 

A AliançaBiodiesel, formada pela Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) lançou, nesta quinta-feira (5) a certificação Super Bio+ para conferir a qualidade do biodiesel produzido pelas empresas no país.

 

A certificação é voluntária e estabelece critérios adicionais de qualidade aos já exigidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no âmbito do Programa de Monitoramento de Qualidade dos Biocombustíveis (PMQBio). O programa inclui limites mais restritivos para parâmetros como sódio, potássio, cálcio, magnésio e fósforo. A certificação Super Bio+ também avaliará requisitos ligados à gestão, ao processo produtivo, às boas práticas e à sustentabilidade.

 

Para obter a certificação, o biodiesel passará por análises laboratoriais e a indústria será alvo de auditoria independente, realizada pelo Instituto da Qualidade Automotiva (IQA). A certificação terá validade de dois anos, com auditorias anuais de manutenção.

 

O selo Super Bio+ surgiu da unificação dos selos de qualidade Bio+, da Abiove, e Super A, da Aprobio, ambos lançados em 2020. “Nós entendemos que seria oportuno unificar os selos. O objetivo é garantir ao consumidor que o biodiesel segue um padrão de alta qualidade, com critérios sobre contaminantes mais rigorosos”, diz Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove.

 

Amaral afirma que o Super Bio+ complementa o PMQBio, que verifica a conformidade do biodiesel comercializado no país e subsidia ações de fiscalização.

 

“O selo vem para mostrar que a indústria está comprometida em garantir a entrega com alta qualidade. É um mecanismo voluntário que valoriza as boas práticas, a inovação, a rastreabilidade nos processos produtivos e atesta maturidade técnica do setor”, afirma Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio.

 

Segundo Goergen, o plano original era que a certificação contasse com o aval do Ministério de Minas e Energia e representantes de outros elos da cadeia, como Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e ANP.

 

“Não queríamos que fosse um selo meramente privado, da indústria. Vamos lançar o selo e a ideia é que ele evolua. O próximo passo é a criação de um comitê de certificação, com participação do Ministério de Minas e Energia e de outros elos da cadeia”, afirma o executivo.

 

“Hoje o biodiesel é tratado como um biocombustível padrão. O que nós gostaríamos é de ver clientes interessados no biodiesel 100% buscando o produto com uma qualidade ainda mais rigorosa”, diz Amaral. Ele observa que, atualmente quase todo o consumo de biodiesel no país é na forma de mistura com o diesel.

 

Há algumas iniciativas de uso do biodiesel puro como combustível, como a Amaggi, que mantém uma frota de quase 1 mil caminhões com uso de B100 de forma ininterrupta. “É um segmento que tende a crescer com os lançamentos de novos caminhões flex”, disse Amaral.

 

De acordo com a Abiove, a certificação será lançada já com 11 empresas certificadas e outras em processo de certificação. A meta, segundo as entidades, é ter 100% das indústrias com o selo. A primeira empresa a obter o selo foi a ADM. Também compõem a lista Amaggi, Bunge, Cargill, Cofco International, Dual Duarte Albuquerque Comércio e Indústria, Biopower (JBS), Olfar, Biopower (Seara Alimentos).

 

“Ser a primeira a conquistar a certificação representa não só o reconhecimento do rigor dos nossos processos industriais, mas também reflete nosso investimento contínuo em inovação, eficiência na evolução dos padrões de qualidade. Iniciativas como essa fortalecem a competitividade do biodiesel brasileiro e contribuem para o desenvolvimento sustentável do setor”, afirma Jayson Lee, vice-presidente de esmagamento e gestão de riscos da ADM (Globo Rural, 5/11/26)