06/01/2026

Setor de máquinas agrícolas terá desempenho mais fraco em 2026

Setor de máquinas agrícolas terá desempenho mais fraco em 2026

A estimativa da indústria para 2026 é de um avanço de 3,4% — Foto: Globo Rural

 

Taxa de juros elevada e renda dos produtores comprometida por custos de produção mais altos são algumas das razões.

 

Após atingir um crescimento de 10% em 2025 e alcançar uma receita de R$ 68 bilhões, o setor de máquinas e implementos agrícolas deve ter um crescimento mais fraco em 2026. A estimativa da indústria é de um avanço de 3,4%.

 

Fatores como taxa de juros elevada e renda dos produtores comprometida por custos de produção mais altos, sem expectativa de valorização das commodities, desestimulam a renovação do maquinário no campo, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)

 

Pedro Estevão Bastos de Oliveira, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, ressaltou que as taxas de juros para o Plano Safra 2025/26 ficaram elevadas, em 13,5% para o Moderfrota (que atende produtores empresariais) e 10% para o Pronamp (de custeio de safra).

 

A exceção foram os juros do Pronaf, de 5%, e é justamente esse programa que tem estimulado as vendas de tratores menores, atendendo a agricultura familiar. “Os setores de café, laranja e pecuária, que estavam mais capitalizados, também demandaram mais tratores de menor porte em 2025”, disse Oliveira. A expectativa é de manutenção dessa tendência em 2026, afirmou.

 

Oliveira ponderou, no entanto, que cerca de 60% do mercado de máquinas agrícolas é voltado para soja e milho. E esses setores estão mais pressionados pelos preços das commodities baixas e custos mais elevados. “Tem recurso do Moderfrota sobrando. O problema do crédito caro tem afetado principalmente os produtores do Centro-Oeste e do Sul do país”, afirmou.

 

Na categoria de tratores e colheitadeiras, a expectativa é que as vendas fiquem estáveis em relação a 2025, segundo a Anfavea.

De janeiro a novembro de 2025, as vendas totais de máquinas agrícolas no país no atacado cresceram 16,1% em relação ao mesmo período de 2024, para 44,5 mil unidades. No varejo, houve queda de 0,7%, para 43 mil unidades. As exportações cresceram 2,6%, totalizando 5,7 mil unidades. Segundo a Anfavea, o mercado ficou concentrado em máquinas de baixa potência e de menor valor agregado.

 

A AGCO, dona das marcas Fendt, Massey Ferguson e Valtra, prevê crescimento de 3% a 4% nas vendas em 2026. “Pecuária, laranja e café, seguem bem em 2026. [O setor de] grãos continua com desempenho estável. Os preços dos grãos não mudam muito e, por mais que a previsão de clima seja favorável, a taxa de juros dá uma segurada no investimento”, afirmou Rodrigo Junqueira, gerente geral da AGCO para América do Sul.

 

Junqueira acrescentou que os produtores estão buscando alternativas para financiar a compra de tratores e colheitadeiras, como consórcios, financiamentos em moeda estrangeira e operações de barter. “Entre médios e grandes produtores, a busca por consórcio aumentou muito”, disse. A AGCO informou que tem carteira de pedidos para entregas até abril e que os pedidos são principalmente para os setores de cana-de-açúcar, café, citros, frutas e pecuária. A demanda para grãos costuma ser mais forte para entregas no segundo semestre, segundo Junqueira.

 

A John Deere informou em seu balanço do quarto trimestre fiscal de 2025 que espera para 2026 estabilidade nas vendas de tratores e colheitadeiras na América do Sul. Procurada, a companhia não quis comentar. A CNH, dona das marcas Case IH e New Holland, também não quis comentar (Globo Rural, 5/1/26)