05/09/2025

STF: A comédia de erros mais cara da história do Brasil – Por Paula Sousa

STF: A comédia de erros mais cara da história do Brasil – Por Paula Sousa

Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. Foto: Fellipe Sampaio/STF

 

Por Paula Sousa

 

Sem querer entregar minha idade, mas cresci nos anos 1990 assistindo às comédias politicamente incorretas da Sessão da Tarde e do Cinema em Casa do SBT com meu irmão. Ríamos de Debi & Loide, Top Gang, Corra que a Polícia Vem Aí e outras pérolas do humor escrachado. Isso acabou gerando em nós um humor no mínimo “duvidoso”. Talvez por isso eu tenha desenvolvido a capacidade de ver as situações — por piores que sejam — com um olhar mais, digamos, “descontraído”.

Claro, sem jamais desrespeitar ou tirar o peso da seriedade dos fatos.

 

Hoje, com a internet, tudo mudou. Posso assistir a shows, notícias e conteúdo na hora que eu quiser — sem depender da TV e sem censura. Mas assistindo ao julgamento de Bolsonaro, me senti de volta aos anos 90… só que no pior sentido possível.

 

O que aconteceu parecia ter saído do roteiro do filme Fargo — aquela comédia de erros em que cada decisão é pior que a anterior, e o final é sempre trágico.

 

O ministro Alexandre de Moraes abriu a sessão com um discurso político, agressivo, repetindo a palavra “covardia” como se fosse o bordão de um personagem da Praça é Nossa.

 

Nada de relatório técnico, nada de debate jurídico — só decretos sobre decretos para validar tudo de ilegal que já vinha fazendo. Só faltou o PGR Paulo Gonet apertar o botão de uma Laugh Box, aquelas risadas gravadas de séries de comédia. Pois é... ficou forçado.

 

Um Tribunal que Virou Palco

 

O jornalista Fernão Lara Mesquita descreveu com precisão: Moraes declarou legais os próprios atos ilegais, listou inconsistências apenas para decretar que eram consistentes, ignorou todas as garantias do devido processo legal e ameaçou até seus colegas de STF.

 

Foi um verdadeiro monólogo autoritário.

 

Eis o roteiro dessa comédia de erros:

  • Quebra de sigilos antes de apresentar fundamentos.
  • Busca e apreensão baseada em matéria de site (Metrópoles).
  • Confisco de celulares para depois forjar provas a partir de conversas privadas.
  • Bens congelados e empresários calados às vésperas da eleição.

 

Isso não é justiça. É perseguição política travestida de legalidade.

 

As defesas destruíram a acusação

 

Mas o segundo dia de julgamento trouxe algo inédito: os advogados de defesa finalmente puderam falar.

 

E o que se viu foi um verdadeiro stand-up jurídico — cada advogado desmontando, com provas, as acusações de conspiração e golpe.

 

O desfile dos primeiros advogados foi um espetáculo à parte:

 

  • Mostraram que não houve golpe — nem reunião golpista, nem plano real de tomada de poder.
  • Apresentaram provas documentais que desmentiram ponto por ponto a narrativa da PGR.
  • Demonstraram que o próprio delator (Cid) não escreveu a “minuta do golpe” e que suas anotações foram distorcidas.
  • Provaram que o almirante Garnier nem sequer estava presente na reunião em que supostamente ofereceria tropas.

 

E, para fechar com chave de ouro, Demóstenes Torres, advogado de defesa do almirante Almir Garnier

lembrou que Rodrigo Janot entrou armado no STF para matar Gilmar Mendes — e nada aconteceu com ele, porque não houve crime.

 

Mas Bolsonaro e aliados estão sendo julgados por um crime que não existiu.

 

É rir para não chorar.

 

A defesa de Anderson Torres foi avassaladora:

 

  • Provou que sua viagem aos EUA estava marcada muito antes.
  • Desmontou a farsa da minuta encontrada em sua casa (não era aquela que estava circulando no Google?).
  • Exibiu mensagens que mostram seu desespero no 8 de janeiro — nada parecido com quem estivesse planejando golpe.

 

O resultado? MPF e PGR saíram da primeira sessão “mais sujos que pau de galinheiro ”, como disse Lara Mesquita.

 

O procurador Paulo Gonet foi retratado como um puxa-saco, estava ali apenas para reforçar a tirania de Moraes.

 

A Imprensa: Cúmplice e Silenciosa

 

Durante décadas, Globo, Folha, Estadão e companhia foram os grandes donos do debate público.

 

Hoje, com a informação descentralizada distribuída, o monopólio acabou — e isso desespera os donos da velha mídia.

 

Segundo Fernão Lara Mesquita, a CNN ignorou por dois meses as provas apresentadas por Eduardo Talhaferro sobre falsificação de provas contra os empresários.

 

Preferiu aplaudir Moraes de pé e vender a narrativa de “golpe” ao público.

 

O jornalismo morreu no Brasil. O que vemos hoje são militantes de microfone tentando ressuscitar a influência perdida calando a internet.

 

E quando um jornalista corajoso, que não se vende usa sua voz para denunciar as arbitrariedades do STF, acaba sendo perseguido e obrigado a fugir do país

 

Mas o povo já percebeu: a verdade não precisa de manchetes pagas — ela se sustenta sozinha.

 

Lula e sua turma ainda não entenderam que estamos no século XXI.

 

O discurso da esquerda, nascido no século XIX — aquele do proletariado no chão de fábrica lutando contra o dono dos meios de produção — não emociona mais ninguém.

 

As pessoas estão se informando mais pelo YouTube, sites, Instagram e WhatsApp, compartilham notícias com amigos e familiares.

 

7 de Setembro: Precisa ser GIGANTE 

Imagem Reprodução Shutterstock

 

Chegamos ao ponto decisivo: não se trata apenas de Bolsonaro.

 

Trata-se da liberdade de cada brasileiro, do direito de discordar, de falar, de votar.

 

Precisamos mostrar — de forma pacífica e ordeira — que o poder emana do povo.

 

Vista-se de verde e amarelo. Leve sua bandeira. Cante o hino. Ore pelo Brasil.

 

A hora é agora.

 

Se ficarmos calados, o silêncio de hoje será a prisão de amanhã.

 

Não podemos permitir que transformem o Brasil em uma ditadura que censura e persegue o povo.

 

Entenda: não estão atrás de Bolsonaro. Estão atrás de nós. Ele só está no meio do caminho (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 5/9/25)