STF em pânico com o crescimento de Flávio nas pesquisas – Por Paula Sousa
Há um fantasma rondando as luxuosas e climatizadas salas da Praça dos Três Poderes. E não, ele não usa toga. O fantasma atende pelo nome de Flávio Bolsonaro, e sua subida silenciosa e consistente nas pesquisas de intenção de voto está provocando uma epidemia de insônia e taquicardia no Palácio do Planalto e, principalmente, no Supremo Tribunal Federal.
O establishment político-judiciário, que operava sob a confortável certeza de um tapete vermelho estendido para a reeleição de Lula, acordou com um balde de água fria. Os dados mais recentes da pesquisa Nexus/BTG Pactual jogaram por terra a narrativa de uma vitória tranquila da esquerda. No cenário de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em um empolgante empate técnico: 47% contra 44%.
Para quem confiava cegamente nos prognósticos do Datafolha (que historicamente gosta de inflar a distância a favor do petista), o choque de realidade foi brutal. Faltando poucos meses para o pleito, a vantagem de Lula derreteu para a margem de erro.
A grande surpresa — e o maior pesadelo estratégico da esquerda — vem da região que sempre foi considerada o "bunker" eleitoral do PT: o Nordeste. Conforme revelado pela jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, Lula oscilou expressivos cinco pontos para baixo na região, despencando de 66% para 61%. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro subiu dois pontos na mesma praça.
O motivo do colapso nordestino atende pelo nome de Jaques Wagner, o ex-líder do governo no Senado envolvido no escandaloso "caso Master". O baque foi tão pesado que nem a artilharia pesada da militância conseguiu reverter. O Nordeste tem uma densidade populacional gigantesca. Uma queda de cinco pontos ali equivale, em termos proporcionais de votos, a um verdadeiro terremoto político no Sul e Sudeste.
O desespero da coalizão governamental fica ainda mais evidente quando olhamos para os bastidores financeiros da campanha. Descobriu-se que o PT e o governo despejaram mais de R$ 1,1 milhão para impulsionar conteúdos negativos contra Flávio no Instagram e Facebook através de redes de perfis falsos. O esforço milionário gerou o que a jornalista Daniela Lima chamou na TV de uma estabilização resiliente da direita: as bombas jogadas pela mídia (como os vídeos envolvendo Michelle Bolsonaro) simplesmente não arranharam o eleitorado feminino ou evangélico de Flávio.
O Supremo Tribunal da moderação e o pânico da toga
É nesse cenário de derretimento eleitoral que o STF entra em cena, abandonando qualquer verniz de neutralidade. A manchete da Folha de S.Paulo entregou o jogo de forma cristalina: “Ministros do STF preveem corte na berlinda se Lula ganhar eleição e embates diários se Flávio vencer”.
A leitura nas entrelinhas é deliciosa. Dizer que o STF "ficará na berlinda" com Lula significa, no bom português, que o tribunal continuará operando como o sócio majoritário do Poder Executivo, sendo acionado diariamente para governar o País por meio de liminares e passar por cima do Congresso Nacional que promete ser majoritariamente de direita. Com Lula, a relação será "cordial" — aquela velha e conhecida cordialidade de compadrio.
Já a hipótese de uma vitória de Flávio Bolsonaro desperta o puro terror institucional. O motivo real? Matemática pura e simples. O próximo presidente da República terá o direito de indicar até quatro novos ministros para a Suprema Corte. Somando-se esses quatro novos nomes aos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, a composição do STF sofreria uma virada conservadora inédita de 6 a 5.
Para o chamado "núcleo político" da Corte — capitaneado por Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino —, perder a maioria significa o fim do império das decisões monocráticas e das perseguições de gaveta. Eles sabem que uma nova composição na Corte teria o poder legal de anular as arbitrariedades jurídicas cometidas nos últimos anos.
Fiscalizar o fiscalizável: O auge do absurdo
O ápice dessa comédia política foi revelado pelo jornalista Lauro Jardim, no O Globo, ao relatar o "alerta" de Gilmar Mendes a Lula sobre o desgaste do tribunal. No meio do texto, surge a pérola: a preocupação de o Supremo precisar "vigiar e tutelar o TSE" nas eleições deste ano.
Ora, numa democracia saudável, o Tribunal Superior Eleitoral é a instância máxima do rito de votação. A ideia de que o STF precisa criar um movimento para atuar como uma "corte revisora" do TSE, atropelando ritos constitucionais sem qualquer matéria inequívoca, é a confissão definitiva de que o tribunal decidiu tutelar o resultado das urnas. Vimos esse ensaio autoritário acontecer nos casos regionais de Roraima e do Rio de Janeiro, onde o ativismo judicial tentou mudar as regras do jogo no tapetão.
O grande erro estratégico de Alexandre de Moraes e de seus colegas é não entender a psicologia do eleitor brasileiro. Em uma democracia de verdade, quem decide o destino da nação é o povo, e não nove juízes togados jogando xadrez político.
Quanto mais o STF se estica para blindar Lula e sabotar a oposição, mais a população enxerga o óbvio: Flávio Bolsonaro passou a ser visto não apenas como um candidato, mas como o remédio institucional necessário para colocar o Supremo de volta dentro dos limites da Constituição. O tiro do pânico juristocrático saiu, definitivamente, pela culatra (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 30/6/2026)

