26/02/2026

STF está envolvido em "enorme escândalo", diz The Economist

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Foto reprodução CNN Brasil

Artigo da Revista Britânica narra questionamentos sobre a atuação de ministros da Suprema Corte, incluindo Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

 

Em artigo publicado na terça-feira (24), a revista britânica The Economist avalia que o STF (Supremo Tribunal Federal) está envolvido em um "enorme escândalo" após virem à tona informações sobre o relacionamento de magistrados da Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

 

As revelações, argumenta a publicação, "provocaram discussões sobre a conduta de integrantes do mais alto órgão do Judiciário".

 

O texto indica que o assunto é particularmente importante para a direita brasileira, que pode ampliar sua base no Senado Federal nas eleições de outubro e mover processos de impeachment contra ministros do Supremo.

 

A direita nutre uma animosidade especial contra o STF por seu papel no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal o condenou a 27 anos de prisão por tentativa de golpe após perder a reeleição em 2022.

 

Ao narrar os acontecimentos envolvendo o caso Master, a Economist chama a atenção para a condução do ministro Dias Toffoli, inicialmente o relator designado do processo no STF. O artigo menciona a viagem em um jatinho particular entre Toffoli e o advogado Augusto de Arruda Botelho, que representa a defesa de um dos diretores do Master.

 

A matéria destaca também A participação societária do ministro do STF no resort Tayayá, que recebeu investimentos de um fundo ligado ao Banco Master.

 

"Toffoli nega qualquer irregularidade e afirma que as acusações de parcialidade se baseiam em mera 'especulação'. Ele alega que os pagamentos estavam relacionados à venda de ações do resort e que foram declarados às autoridades fiscais. Mesmo assim, após crescente pressão, ele renunciou ao cargo", diz o texto.

 

Além de Toffoli, o artigo se debruça sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes. A revista cita o contrato milionário entre a esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o Master. Também destaca a decisão do magistrado de investigar servidores da Receita Federal, em um desdobramento do inquérito das fake news.

 

"Ao contrário de grande parte da atividade do tribunal, as operações da investigação sobre fake news sempre foram mantidas em sigilo. Quando a investigação começou, os membros justificaram isso com base na gravidade das ameaças provenientes do ex-presidente Bolsonaro e seus seguidores. É difícil conciliar o uso da investigação por Moraes para investigar fiscais da Receita Federal", aponta.

 

O artigo menciona ainda a iniciativa do presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, sobre a criação de um código de ética no STF.

 

"Toffoli e Moraes reagiram imediatamente. Ambos afirmam nunca ter julgado um caso em que houvesse conflito de interesses e que a adoção de um código de ética é desnecessária. Independentemente de suas convicções, seus adversários no Congresso estão atentos", finaliza o texto (CNN Brasil, 25/2/26)



 The Economist diz que STF está envolvido em ‘enorme escândalo’

Nos bastidores, grupo de Alexandre de Moraes se posiciona contra aliados de Edson Fachin em novo embate. Foto Carolina Brígido/Estadão

 

Por Maria Magnabosco

 

Revista britânica afirma que, mesmo tendo um papel importante na defesa da democracia, o Supremo ‘tem se mostrado mais intransigente’ no caso do Banco Master.

 

A revista britânica The Economist afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) está envolvido em um “enorme escândalo”. O texto publicado nesta terça-feira, 24, relata a investigação das fraudes financeiras do Banco Master e o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro com os ministros da Corte.

 

“Mesmo defendendo a democracia, o tribunal tem se mostrado mais intransigente, por vezes interpretando críticas a seus membros como um ataque à própria democracia”, afirma a revista, fazendo referência ao papel do STF ao julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe após perder a reeleição em 2022.

Fachada do STF: The Economist destaca as ligações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o caso do Banco Master. Foto Wilton Junior Estadão

 

A publicação destaca as ligações de dois membros do STF com o Master: os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. “Os problemas começaram desde o início”, afirma a revista.

 

Toffoli, que foi designado inicialmente para ser o relator da investigação do banco no Supremo, viajou de jatinho particular com o advogado Augusto Arruda Botelho, que presta serviços a membros do banco.

 

A revista destaca também a participação do ministro em negócios com o banqueiro. Como mostrou o Estadão, Toffoli é sócio anônimo da Maridt, que é dirigida por dois irmãos dele e tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua fatia no negócio de hospedagem no Paraná a fundo de investimento que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Quando as conexões vieram à tona, Toffoli pediu para deixar a relatoria do inquérito que apura as irregularidades do Master no STF.

 

O texto da The Economist cita ainda que a mulher de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraesteve seu escritório de advocacia contratado para prestar serviços ao Banco Master. O acordo previa pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões por 36 meses, totalizando até R$ 129 milhões ao longo de três anos.

 

O Supremo abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades e vazamentos de dados da Receita Federal de ministros da Corte e de seus familiares. O STF afirmou em nota que a investigação foi iniciada como um desdobramento do inquérito das fake news, do qual Moraes é relator.

 

“Alguns membros do tribunal parecem acreditar que têm um problema, pelo menos com a percepção pública”, diz o texto. A revista afirma que isso é importante porque candidatos de direita podem ampliar sua presença no Congresso Nacional nesta eleição, e que parte deles usa como bandeira a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.

 

Para tentar melhorar a imagem da instituição, o presidente do Supremo, Edson Fachin, propôs a adoção de um código de conduta para os membros do tribunal. Em entrevista exclusiva ao Estadão, o ministro afirmou que é uma “medida de defesa” da Corte.

 

“Os senhores Toffoli e Moraes reagiram imediatamente. Ambos afirmam nunca terem julgado um caso com conflito de interesses e que a adoção de um código de ética é desnecessária. Independentemente de suas crenças, seus inimigos no Congresso estão de olho”, afirma a The Economist, em referência a declarações dos ministros em sessão da Corte (Estadão, 26/2/26)