STF trava CPMI do INSS e enquadra investigações – Por William Waack
William Waack. Foto Reprodução Blog Revista Veja
No atual contexto político brasileiro, a freada nas investigações tem significado político muito mais abrangente do que a tal harmonia e separação entre os Poderes
Nesta quinta-feira (26), o STF (Supremo Tribunal Federal) deu uma freada de arrumação nas investigações de escândalos levadas adiante por comissões parlamentares de inquérito.
O pretexto era derrubar uma liminar de um dos ministros, André Mendonça, que permitia a prorrogação dos trabalhos da CPMI do escândalo do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Ela foi derrubada por folgada maioria de oito votos a dois, em um festival de críticas ao comportamento das CPIs, que humilham, abusam e vazam conteúdos e quebram sigilos, segundo vários votos a favor da freada de arrumação.
Relator desse escândalo e também do caso Master, o ministro André Mendonça ficou sabendo que seu ímpeto de investigação, especialmente no Master, é um ímpeto... dele.
No atual contexto político brasileiro, a tal freada nas investigações tem significado político muito mais abrangente do que a tal harmonia e separação entre os Poderes, como foi enfatizado hoje.
O que se verifica é uma harmonia muito grande entre integrantes do Supremo, que estão no foco central do escândalo do Master, e o presidente do Senado, cujo incômodo com a CPMI do INSS, por exemplo, sempre foi notório. E o desconforto de todos com escândalos, especialmente o do Master.
Nas aparências, o que se discutiu e votou hoje no plenário do Supremo foi separação entre os Poderes e limites de investigação por parte do Legislativo.
No entanto, o que interessa mesmo foi outra coisa: como colocar dentro de balizas escândalos que teimam em escapar das tentativas de abafa e controle. (CNN, 26/3/26)

