15/09/2025

Tarifaço exige diversificação de mercados agrícolas do Brasil, diz Jank

Tarifaço exige diversificação de mercados agrícolas do Brasil, diz Jank

Marcos Jank destacou a necessidade de o Brasil buscar novos acordos comerciais com outros países — Foto: Divulgação

 

País precisa se posicionar de forma mais ativa nas negociações com os EUA, afirma especialista.

 

As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos estão alterando a dinâmica do mercado agrícola em nível global, que precisará de diversificação e negociação, disse o coordenador do Insper Agro Global e Marcos Jank. O especialista, que também é conselheiro de empresas como Minerva, Cargill e Rumo, participou de evento do Bradesco BBI nesta quinta-feira (11/9) em São Paulo.


Segundo Jank, esse novo cenário exige um esforço de diversificação dos mercados por parte do Brasil. “Cada cidade do agro no Centro-Oeste deve uma estátua à China, mas não podemos depender só da China”, disse.

 

Ele destacou que o crescimento do agronegócio brasileiro ocorreu com base em méritos próprios e na abertura de mercados, mas alertou que, daqui em diante, será necessário adotar estratégias similares às utilizadas por grandes empresas e países concorrentes.

 

De acordo com o especialista, embora os Estados Unidos não tenham capacidade para substituir as exportações brasileiras de soja e carne bovina, há possibilidade de criação de barreiras, como tarifas e exigências regulatórias, que podem impactar negativamente o Brasil, o setor e as empresas exportadoras.

 

Jank apontou a Ásia e a África como regiões estratégicas para a ampliação de mercados, mas ressaltou também o potencial de diversificação do mercado interno, com o desenvolvimento de novos produtos do agronegócio.

 

Sobre a relação com os Estados Unidos, ele observou que o Brasil precisa se posicionar de forma mais ativa nas negociações.

 

“Se não formos negociar, eles vão liberar para os países tropicais que têm acordo, e nossa situação piora, porque nossos concorrentes vão ter isenção e nós vamos pagar 50%”, afirmou. Ele citou o café e a manga como produtos com forte presença nos EUA, para os quais, segundo ele, não há substituição provável de importação.

 

Jank ainda destacou a necessidade de o Brasil buscar novos acordos comerciais com outros países. “O Brasil sempre foi liberal para exportação, mas protecionista para importação. Vai ser um mundo de barganha e de cooperação”, concluiu (Globo Rural, 12/9/25)