24/04/2026

Testes para aumento de mistura de biodiesel devem começar em maio

Testes para aumento de mistura de biodiesel devem começar em maio

O aumento da mistura do biodiesel é visto como uma oportunidade para o Brasil reduzir sua dependência da importação de diesel fóssil —  Foto Pixabay

 

Ensaios vão testar proporções de até 25%; atualmente, o teor de biocombustível no diesel é de 15%.

 

O Ministério de Minas e Energia (MME) "conta" com o início dos testes de aumento de mistura de biodiesel ao diesel em maio, afirmou Marlon Arraes, secretário substituto de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis da Pasta e diretor do Departamento de Biocombustíveis durante evento em São Paulo promovido pela Associação das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP).

 

"O ministério tem o empenho e conta com o início dos testes em maio. Queremos e precisamos fazer com que os testes sejam iniciados o mais rapidamente possível. Estamos fazendo gestão para que tenhamos o cronograma já iniciado em maio", afirmou Arraes.

Os ensaios vão testar misturas de 20% e de 25% do biodiesel no diesel, para avaliar a possibilidade de garantir o aumento dos teores previstos na Lei do Combustível do Futuro. Atualmente, o teor de biodiesel ao diesel é de 15%. No atual entendimento do MME, um aumento do teor obrigatório para 16% ou 17%, por exemplo, depende da validação dos testes com mistura de 20%. A indústria de biodiesel chegou a defender formas mais simplificadas de realizar os testes, inclusive ensaios com teores menores de 20%, mas as propostas não foram aceitas pela Pasta.

 

No evento da Abiove e do IBP, o secretário substituto afirmou que os testes "serão concluídos no menor espaço de tempo possível". Pelo cronograma previsto no MME, se os ensaios começarem em maio, a conclusão deverá ocorrer em fevereiro de 2027. Quando concluídos, os resultados ainda deverão ser ratificados pelo Ministério de Minas e Energia, e uma decisão a respeito do aumento da mistura para além de 15% (para 16% ou mais) ainda precisará ser tomada no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

 

Além do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), o setor privado também está começando a negociar com outros laboratórios para a realização dos testes, afirmou André Nassar, presidente da Abiove, em entrevista coletiva. O custo total dos ensaios deverá ser de R$ 8 milhões, e parte deverá ser financiado pelas usinas de biodiesel. Segundo Nassar, o setor está se organizando agora para garantir a participação das empresas no levantamento de recursos. Ainda segundo o dirigente, também precisará ser definido qual organização fará o acompanhamento da execução dos testes.

 

Segundo Arraes, os testes vão verificar o comportamento tanto dos motores diante do uso do diesel com B20 ou B25 e também do próprio combustível em suas características físico-químicas. O aumento da mistura é visto como uma oportunidade para o Brasil reduzir sua dependência da importação de diesel fóssil em um momento de aperto na oferta global provocado pela guerra no Oriente Médio. Para o subsecretário do MME, os testes "vão da segurança para avançar [na mistura] aqui [no Brasil] e lá fora, por quê não na América do Sul".

 

Em apresentação no evento, Pietro Mendes, diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), disse que o aumento de 1 ponto percentual no teor de mistura de biodiesel ao diesel permite ao Brasil deixar de importar 700 milhões de litros de diesel ao ano.

 

Especificação

 

Os testes de misturas de biodiesel ao diesel em 20% e 25%, que vão ser realizados neste ano sob coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME), deverão autorizar o uso de teores maiores do biocombustível, mas também deverão provocar mudanças nas especificações do biodiesel, o que pode aumentar o custo de produção.

 

A avaliação é de André Nassar, presidente da Abiove, que tratou do tema em coletiva com jornalistas durante evento promovido pela entidade. "Algumas medidas vão ter que ser tomadas. Não vejo o resultado de testes negando o aumento. Vejo necessidade de ter que mudar alguns processos nas usinas", afirmou.

 

Isso já ocorreu no processo de aumento da mistura do biodiesel para 15% (B15), que fez a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) obrigar as usinas de biodiesel a colocarem aditivos para estender o prazo de estabilidade do biocombustível, evitando sua oxidação antecipada. Segundo Nassar, novas especificações poderão ser exigidas com teores acima de 15%, mas ele afirmou que a indústria "está preparada" para atender novas exigências.

 

A associação espera que as possíveis novas especificações sejam atribuídas para todos os tipos de biodiesel, independentemente da matéria-prima utilizada (Globo Rural, 23/4/26)