24/08/2026

Trump vai suspender por 90 dias tarifas sobre importações para carne moída

Trump vai suspender por 90 dias tarifas sobre importações para carne moída

Foto Claudio Belli

Não há definição, por ora, sobre critérios ou países que poderão ser contemplados pela medida anunciada pelo presidente dos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (21) em uma rede social que suspenderá temporariamente tarifas para algumas importações de carne moída, a fim de reduzir os preços para os consumidores americanos.

Em sua rede social Truth Social, Trump disse que, pelos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a entrada de até 300 mil toneladas de produto destinado à produção de carne moída sem aplicação de tarifas sobre volumes que excedam as cotas.

“Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”, afirmou Trump na rede social. “Temos o compromisso de que essa carne será vendida a 25% abaixo dos valores atuais de mercado”, continuou.

Trump não informou quais países fornecerão a carne nem deu detalhes sobre as partes envolvidas no acordo. A medida ocorre após outras iniciativas do governo americano para aumentar a oferta de carne bovina no mercado americano e conter a alta dos preços, como a expansão das importações de carne da Argentina e a retomada dos embarques de gado vivo do México.

Após a publicação, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse em nota que não recebeu, até o momento, informações oficiais sobre como a medida anunciada pelo presidente americano será implementada, nem tem detalhes sobre volumes, critérios ou países que poderão ser contemplados.

“Uma eventual ampliação da cota tarifária pode beneficiar o Brasil”, afirmou a associação na nota.

A Abiec lembrou que, atualmente, o Brasil conta com uma cota compartilhada com outros fornecedores, que costuma ser preenchida logo nas primeiras semanas do ano. Após o esgotamento do volume, as exportações brasileiras seguem normalmente, porém passam a pagar a tarifa extra-cota de 26,4%.

“Por isso, qualquer ampliação que contemple o Brasil pode representar uma melhora nas condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado norte-americano”, disse a entidade (Globo Rural, 21/8/26)

 

Suspensão de tarifas para importação de carne nos EUA pode beneficiar frigoríficos brasileiros

Governo americano vai retirar a tarifa de 26,4% sobre a importação de 300 mil toneladas de carne bovina moída — Foto: Canva/ Creative Commons

Analistas projetam que o Brasil poderá abocanhar até 40% do volume autorizado de 300 mil toneladas.

O anúncio do governo americano, de retirar a tarifa de 26,4% sobre a importação de 300 mil toneladas de carne bovina moída como tentativa de reduzir o preço do produto internamente, poderá beneficiar diretamente os frigoríficos brasileiros e ajudar a compensar parcialmente o fim da cota chinesa.

O mercado ainda aguarda a publicação da regulamentação dessa isenção, mas analistas projetam que o Brasil poderá abocanhar até 40% do volume autorizado para exportação sem tarifa, ou seja, até 120 mil toneladas.

Essa é a perspectiva de Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado. Segundo ele, o Brasil está bem posicionado em termos de plantas habilitadas para vender para lá e de potencial de oferta de carne magra, para suprir a demanda americana, principalmente de olho no ground beef, a carne moída.

"As 300 mil toneladas não são uma cota destinada ao Brasil. Ainda faltam detalhes oficiais sobre países elegíveis, produtos contemplados e mecanismo de distribuição", relatou Iglesias. Para ele, se não houver divisão dessa "cota" entre os fornecedores e valer a regra de "quem chegar primeiro", o Brasil apresenta condições competitivas para capturar parcela relevante do volume isento.

Nas contas dele, os frigoríficos brasileiros poderão preencher de 30% a 40%do volume total, entre 90 mil toneladas e 120 mil toneladas. "Como cenário intermediário, 100 mil toneladas é uma referência plausível para simulações", disse Iglesias. De janeiro a julho deste ano, o Brasil exportou 223,8 mil toneladas de carne bovina para os americanos, quase 88% disso in natura. O faturamento total das exportações nos sete primeiros meses de 2026 foi de US$ 1,5 bilhão.

O Brasil tem demonstrado nos últimos anos a capacidade de antecipar operações diante de oportunidades tarifárias para os EUA. A cota isenta, compartilhada com vários outros países, de 52 mil toneladas foi ocupada em apenas cinco dias em janeiro de 2026. São 50 unidades com habilitação para exportar para os americanos.

Fernando Iglesias destacou que o anúncio do presidente Donald Trump, da importação isenta, pode ajudar a compensar parcialmente as limitações impostas pela salvaguarda chinesa e ampliar a diversificação dos destinos da carne bovina brasileira.

Recentemente, a China anunciou que o Brasil atingiu 90% da cota de 1,106 milhão de toneladas de 2026. Dados do governo chinês mostram que já foram internalizadas 1,031 milhão de toneladas até esta quinta-feira (20/8). O anúncio do preenchimento total do volume autorizado para este ano deve ocorrer nos próximos dias.

Por outro lado, se o Brasil conseguir direcionar volumes próximos a 100 mil toneladas adicionais aos EUA, o cenário pode ser de redução de disponibilidade doméstica de carne e de sustentação dos preços da arroba. A expectativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) era embarcar até 400 mil toneladas para os americanos neste ano, sem considerar essa isenção (Globo Rural, 21/8/26)

Pecuaristas americanos sabem que precisam de ajuda para baixar preços das carnes, diz Trump

Donald Trump — Foto White House Photo Daniel Torok

Republicano anunciou que vai isentar tarifa pra 300 mil toneladas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira (21/8) que os pecuaristas do país reconhecem que precisam “de uma pequena ajuda” para baixar os preços das carnes.

Trump anunciou mais cedo em publicação em rede social que ampliará a cota para importação de carne moída sem tarifa, um movimento que pode beneficiar produtores brasileiros. O republicano, no entanto, evitou citar países beneficiados.

“Queremos baixar os preços da carne bovina, vamos reduzi-los um pouco, e é isso que as pessoas querem. É isso que os eleitores querem, e é isso que eu quero”, afirmou Trump a um grupo de jornalistas antes de embarcar no Air Force One para Myrtle Beach, na Carolina do Sul.

“Os pecuaristas são ótimos, são a minha gente. Eu adoro os pecuaristas, eles fizeram um trabalho fantástico, mas admitem que precisamos de uma pequena ajuda para baixar os preços. Então, é isso que estamos fazendo. Estamos ouvindo isso”, disse.

Acordos com vizinhos

Sobre a perspectiva de um acordo comercial com o Canadá, Trump voltou a afirmar que “temos de cuidar dos nossos agricultores”, mas também disse que o acordo com o vizinho “está avançando” e deve ser fechado. “Também estamos começando um novo acordo com o México, um acordo muito melhor para os EUA”, afirmou, sem dar detalhes.

Em sua rede social Truth Social, Trump disse que, pelos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a entrada de até 300 mil toneladas de produto destinado à produção de carne moída sem aplicação de tarifas sobre volumes que excedam as cotas.

“Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”, afirmou Trump na rede social. “Temos o compromisso de que essa carne será vendida a 25% abaixo dos valores atuais de mercado”, continuou.

Trump não informou quais países fornecerão a carne nem deu detalhes sobre as partes envolvidas no acordo. A medida ocorre após outras iniciativas do governo americano para aumentar a oferta de carne bovina no mercado americano e conter a alta dos preços, como a expansão das importações de carne da Argentina e a retomada dos embarques de gado vivo do México.

Após a publicação, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse em nota que não recebeu, até o momento, informações oficiais sobre como a medida anunciada pelo presidente americano será implementada, nem tem detalhes sobre volumes, critérios ou países que poderão ser contemplados.

“Uma eventual ampliação da cota tarifária pode beneficiar o Brasil”, afirmou a associação na nota.

A Abiec lembrou que, atualmente, o Brasil conta com uma cota compartilhada com outros fornecedores, que costuma ser preenchida logo nas primeiras semanas do ano. Após o esgotamento do volume, as exportações brasileiras seguem normalmente, porém passam a pagar a tarifa extra-cota de 26,4%.

“Por isso, qualquer ampliação que contemple o Brasil pode representar uma melhora nas condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado norte-americano”, disse a entidade (Globo Rural, 21/8/26)