06/04/2026

Um super El Niño a caminho?

Um super El Niño a caminho?

SUPER EL NIÑO Foto IA ChatGBT

Expectativa é de extremos de temperatura e muita chuva no segundo semestre.

 

É grande a chance de 2026 ser mais um ano marcado pelo fenômeno climático El Niño. De acordo com último boletim da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, há 62% de probabilidade de o fenômeno se estabelecer entre junho e agosto deste ano

 

A partir de agosto, a chance aumenta ainda mais e chega a 80% até o fim do ano. Já há quem fale em super El Niño. Segundo a previsão, as temperaturas podem ficar até dois graus acima da média no segundo semestre, o que é suficiente para alterar a circulação atmosférica e a distribuição de chuvas em todo o planeta.

 

“Para os próximos meses é esperado um aquecimento significativo das águas do Oceano Pacífico que deve dar origem ao fenômeno que conhecemos com El Niño”, afirma o meteorologista Márcio Bueno, da Tempo Ok. “A formação desse fenômeno deve ser mais intensa no segundo semestre, a partir junho, no auge do inverno brasileiro.”

 

O El Niño é um fenômeno natural de aquecimento das águas do Pacífico Sul. De forma geral, ele provoca o aumento das temperaturas médias do planeta e o regime de chuvas. O fenômeno vem sendo pontecializado por conta do aquecimento global, que afeta os padrões climáticos mundiais e torna mais frequentes os eventos extremos.

 

No Brasil, normalmente, o El Niño aumenta o risco de secas nas regiões Norte e Nordeste e favorece grandes volumes de chuva no Sul. Por isso mesmo, as novas previsões já acenderam o alerta por aqui: existe risco de termos uma nova tragédia no Rio Grande do Sul, como a de 2024?

 

Naquela ocasião, o governo gaúcho contabilizou 184 mortes e classificou a situação como “a maior catástrofe climática da história do Estado”.

Um oficial do Corpo de Bombeiros em um helicóptero de resgate observa o estrago causado pelas águas nas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul Abril e maio de 2024 - O Estado do Rio Grande do Sul é arrasado por enchentes causadas por chuvas de intensidade e duração jamais observadas. Foto: Lauro Alves/Secom

 

“O El Niño aumenta as chances de enchentes no sul do Brasil porque costuma provocar chuva acima da média na região”, explica a climatologista Karina Bruno Lima, diretora científica da comitê nacional da Associação de Pesquisadores Polares em Início de Carreira (Apecs-Brasil).

 

“Mas os eventos de El Niño (e La Niña) nunca são iguais e, além disso, o desastre de 2024 teve causa multifatorial, com uma conjuntura climática bastante complexa. Também houve vulnerabilidades agravadas pela falta de preparo e isso tem influência no grau dos danos. Então é difícil fazer esta previsão neste momento.”

 

Márcio Bueno, da Tempo Ok, concorda com a colega. “Na região Sul, o fenômeno atua principalmente provocando precipitações acima da média; ou seja, pode ser que tenhamos precipitações persistentes ao longo do período e os principais impactos da ocorrencia de muita chuva são as enchentes e alagamentos”, afirma.

 

“Mas é importante lembrar que esse fenômeno sozinho não modula o clima da região, existem outros fatores que têm impacto; então, não necessariamente teremos eventos extremos. É importante estar atento à previsão do tempo.”

 

Antes disso, no entanto, a previsão é de termos um período de neutralidade climática, entre maio e junho, com o fim do La Niña, que prevaleceu em 2025 e o início do El Niño (Estadão, 5/5/26)