Uruguai nega compra de frigoríficos da Marfrig pela Minerva mais uma vez
Unidade da Marfrig em Colônia, no Uruguai — Foto Marfrig Reprodução
Minerva havia sugerido revender unidade de Colonia para grupo indiano.
A Minerva Foods recebeu mais uma negativa da Comisión de Promoción y Defensa de la Competencia (Coprodec), autoridade antitruste uruguaia, que barrou a compra de três unidades da Marfrig pela empresa no país. Desta vez, a companhia da família Vilela de Queiroz não manifestou intenção de continuar na busca pelo aval do Uruguai.
A aquisição das unidades de San José, Salto e Colônia fazia parte da transação em que a Minerva comprou 13 plantas da Marfrig localizadas no Brasil, Argentina e Chile. As unidades já adquiridas estão sob o controle da Minerva desde outubro de 2024, quando esta etapa da transação foi concluída.
O Valor apurou que desde o início do acordo, firmado em agosto de 2023, já havia expectativa de dificuldade de aprovação do negócio no Uruguai. Por esse motivo, as plantas que estão naquele país ficaram em um contrato separado, segundo com uma fonte a par do assunto.
Diante de negativas anteriores, a Minerva chegou a sugerir como alternativa que a compra das plantas fosse condicionada à revenda da unidade de Colônia para a indiana Allana Group, que atua na produção e exportação de itens como carne halal, para evitar concentração no mercado uruguaio. A ideia, apurou o Valor, partiu de uma autoridade do Uruguai, e mesmo assim a Coprodec negou.
Como a negativa partiu da Coprodec, não deve haver grandes mudanças na relação entre a Minerva e a companhia indiana, segundo uma fonte. Também não há expectativa de grandes impactos negativos do ponto de vista financeiro para a Minerva, já que as sinergias vindas das outras 13 unidades adquiridas estão sendo capturadas.
Outro ponto considerado positivo é que um valor de cerca R$ 700 milhões relativo às três unidades, que estava depositado, voltará ao caixa da Minerva, disse a fonte.
Procurada, a Minerva não comentou. A MBRF, companhia resultante da fusão entre Marfrig e BRF, também não se manifestou.
O último posicionamento da vendedora sobre o tema foi no início do mês, quando a Marfrig informou que o prazo para a conclusão da operação havia encerrado, e que o contrato assinado entre as duas empresas havia perdido a validade. A Minerva afirmou na ocasião que não concordava e esperaria a última decisão da Coprodec.
No mercado, a XP Investimentos afirmou ontem em relatório que mantém perspectivas positivas para o Minerva, apesar do revés no Uruguai, mas alertou sobre o risco de eventual multa contratual e concentração das operações no Brasil. As ações da Minerva terminaram em queda de 1,84% na B3 (Globo Rural, 25/9/25)

